A Serra perdeu o azul da poesia – Morre o escritor João Henrique Serra Azul

CAPA FPCP SERRA AZUL

Por Marcos Linhares-

O Sindicato dos Escritores do Distrito Federal (Sindescritores) está de luto pela morte do escritor sindicalizado, Henriques do Cerro Azul, pseudônimo literário de João Henrique Serra Azul.  Serra Azul era poeta, escritor e aposentou-se como subprocurador-geral da República.

o resgate da palavraParticipou da Antologia do Sindicato, O RESGATE DA PALAVRA – I Antologia do Sindicato de Escritores do DF (Brasília: SEDF, 2009).

soneto_de_bolso A última obra a receber poemas dele foi SONETOS DE BOLSO – Antologia Poética, organizado por Jarbas Júnior e João Carlos Taveira (Thesaurus Editora, 2013). 

Um soneto dele publicado no livro:

HENRIQUES DO CERRO AZUL

Só vivo para ti, por ti somente;

É teu o meu viver; mísero amante,

Sonho contigo e penso em ti durante

A noite e o dia alternativamente.

Durante a noite taciturna e ardente,

Num sonho voo a ti, sonho constante

Que enche a noite divina e cintilante

Até que surja o Sol no ardor do Oriente.

Mas quando o Sol acorda sonolento

E a aurora a luz diáfana irradia,

Viaja para ti meu pensamento…

E assim corre-me a vida fugidia,

Pois sonho e penso em ti todo momento,

Alternativamente a noite e o dia.

Sonetos e poemas de Serra AzulEntre seus livros estão: “Sonetos e Poemas de Henriques do Cerro Azul” (poemas líricos),

trânsito onírico “Trânsito Onírico” (milhares de versos metrificados e rimados com rimas proparoxítonas) e “Poesia dos Astros ou as Lendas do Céu” (sonetos astronômicos que contam a lenda das constelações, relacionando-as com a mitologia greco-romana) , além de ter integrado várias antologias nacionais e internacionais: Anuário dos poetas do Brasil, org. de Aparício Fernandes; International poetry, 1985, org. de Terezinka Pereira; Planalto em poesia, 1987; Contos correntes, 1988, ambas org. de Napoleão Valadares; Dez anos de poesia e união, 1988, Poebras; Páginas literárias, 1988, org. de Maria de Fátima Machado Brasil; 15 anos de poesia, 1993, Poebras; Cronistas de Brasília, vol. 2, 1996, org. de Aglaia Souza; Poesia de Brasília, 1998, org. de Joanyr de Oliveira; Antologia internacional palavras no 3º milênio, org. de Maurício Savino; Chuva de poesias, cores e notas no Brasil Central, 2005, org. de Sônia Ferreira; Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal – Patronos, 2007, org. de Napoleão Valadares; 30 anos de poesia, 2008, Poebras; Cadernos de poesia, 2008, org. de J. R. Martins; O resgate da palavra, 2009, SEDF, entre várias outras. Colaborou em jornais e revistas.

Foi membro da Associação Nacional de Escritores (sócio efetivo e benemérito), da Academia de Letras de Brasília (cadeira José de Alencar), do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal (patrono Pe. Antônio Tomaz), da Academia Taguatinguense de Letras (cadeira Olavo Bilac), da Casa do Poeta do Brasil, da Academia Internacional de Cultura (AIC) e da Academia de Letras e Música do Brasil (ALMUB).

É verbete da Enciclopédia de Literatura Brasileira, da OLAC, direção de Afrânio Coutinho, Ministério da Educação, 1990, e do Dicionário de Escritores de Brasília, de Napoleão Valadares, da Enciclopédia da Literatura Brasileira Contemporânea, de Reis de Souza, Dicionário de Poetas Contemporâneos, de Francisco Igreja, e vários dicionários literários. É verbete dos seguintes dicionários e enciclopédias internacionais: Interntional Who’s Who of Intelectuals, 1992, Cambridge, England, e Men Of Achievement, 1988, International Biographical Centre, Cambridge England.

Recebeu o título de Cidadão Honorário de Brasília, derivado de proposta do deputado distrital, Rôney Nemer, em solenidade na Câmara Legislativa do Distrito Federal.em 16 de setembro de 2014. O historiador e escritor sindicalizado Adirson Vasconcelos foi um dos que brindaram a todos declamando poemas de Serra Azul, naquele dia. 

O Sindescritores estará representado no velório e enterro e mandou confeccionar uma coroa de flores para o saudoso cearense, radicado há muitos anos em Brasília. Serra Azul era casado com Raimunda Ceará Serra Azul e pai de três filhos.

Nada melhor para homenagear a alma de um poeta que se vai, do que com a poesia que deixou de legado ao mundo. Descanse em paz, nobre vate:

Ausência – João Henrique Serra Azul

Por que demoras tanto? Cada instante

Se arrasta como uma hora vagarosa;

E há tanto que te espero, esbelta rosa,

Rainha e dona do meu peito amante.

O tempo, nessa marcha preguiçosa,

Faz de um minuto um século hesitante,

Que não quer avançar, ir para diante,

Nem dar-me a tua imagem vaporosa…

Chegas, enfim, e pagas a demora

Com um beijo, quase a me dizer: “Perdoa!”

E abres no riso uma esplendente aurora.

Todo me enlevo em tua imagem boa…

E o tempo que parou, meu Deus, agora

Que estás aqui, como ligeiro voa!

Fontes: Jornal da Poesia, portal da ANE, estante virtual, portal da Câmara Legislativa do DF e da revista Foco.

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