Culminâncias dos Pireneus -COLUNA CIÊNCIA PONTO CONSCIÊNCIA

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*Ildefonso de Sambaíba

Enfastiado dos recorrentes-capítulos-mesmos sobre o atual momento da política brasileira, resolvo sanear o corpo e a mente. Aceito oportuno convite de Leninha Caldas, para uma clausura de cinco dias numa pousada rural, encravada no sopé da serra dos Pireneus – município de Cocalzinho de Goiás. Leninha é ativa militante das causas ecológicas, como integrante do grupo Observaves. Conforme o nome já indica, a trupe viaja Brasil a fora, observando, fotografando e catalogando aves silvestres.

Então, eis a natureza a me proporcionar incontáveis exclamações! Especialmente quando ajudo a operar o playback com o canto de pássaros. A tática é usada para atrair os nativos para mais próximo do aparato de fotografias e filmagens. É extasiante vivenciar interações com seriemas e outras espécies mais arredias. E como se não bastasse, o habitat outono-primaveril é de tirar o fôlego, tal a beleza. Uma alternância de cerrados e matas ciliares, mesclados de calliandras e murtas, em variedades.

Nos ínterins, ainda apreendo rica teoria de conversas entre Leninha e os donos da pousada, também aficionados pela vida dos pássaros. Finalmente, chega a hora de literal culminância: subir ao topo do pico mais elevado da serra (1.385 metros de altitude), de onde é divisável o amplo verde azulado da região. Estendido num bordado de hectares cultivados e áreas preservadas, que avança além do alcance da vista.

Retorno a Brasília trazendo o astral totalmente revigorado!

 

Repertório Atemporal

Trinta anos após a gravação do primeiro disco, vinte da morte do cantor e compositor-poeta Renato Russo, os remanescentes do grupo musical Legião Urbana, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, remontam a banda para temporada de rememorações que vem causando expectativas e euforias. Trata-se da celebração de um dos repertórios mais antológicos dos anos oitenta, voz da geração pós-regime militar. Quem não se lembra da canção “Que país é este?”, de cunho político-social fortemente questionador de situações da época.

Os compositores do cognominado “Rock Brasil” são autores de uma trilha sonora marcante. Entretanto, no caso de Renato Russo o lirismo se impõe, imprimindo identidade de expressão única, em suas letras. Uma das peças de primeira grandeza é Monte Castelo, canção que enaltece o amor de forma extraordinária. Na verdade, uma adaptação de versos da primeira “Epístola de Paulo aos Coríntios” e do soneto “O amor é fogo que arde sem se ver”, de Luís de Camões.

O acalanto pode ser relembrado nestes destaques: “Ainda que eu falasse a língua dos homens  / e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria. / É só o amor, é só o amor; / Que conhece o que é verdade; O amor é bom, não quer o mal; / Não sente inveja ou se envaidece. / O amor é o fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e não se sente; / É um contentamento descontente; / É dor que desatina sem doer”.

Vem aí uma Legião Urbana repaginada, para seus admiradores.
Et-Cétera e Tal

Durante homenagem à escritora portuguesa Dulce Rodrigues, Marcos Linhares, presidente do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal, informa que a entidade atuará na parceria de organização da Feira do Livro de Brasília, deste ano. O evento será realizado no pavilhão de exposições do parque da cidade, entre primeiro e dez de julho. Aguardemos! *** Parece encontro marcado. No primeiro dia do outono eles já estão em todos os pontos de venda, lustrados como se estivessem banhados de verniz. Estou falando dos caquis, que dominarão muitas preferências durante sua curta sazonalidade. Que não fiquem enciumadas as outras frutas! *** O repórter de uma poderosa rede de TV devaneia: “vejam o chão forrado pelo tapete de flores caídas deste belo ipê rosa”. Acontece que a florada dos ipês se dá entre agosto e setembro, não em abril. As imagens exibidas são de uma frondosa paineira. Ora, vejam só! *** Compreensível que muitas famílias exultem com a aprovação, por parte do Congresso Nacional, para a fabricação e distribuição da fosfoetanolamina sintética, conhecida como pílula do câncer. A Anvisa não concorda, mas vale o velho ditado: Cada um sabe onde o sapato aperta. *** Senhor, fazei de mim instrumento da Vossa paz!      

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(*) Jornalista (DRT/DF-3633); funcionário público, aposentado; poeta, autor de Vida de Vidro, Buquê de UrtigasQuem matou as Gazelas? e Samjahlia: Versos in Versose-mail: ildefonso.sambaiba@brturbo.com.br

  

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