O catolicismo vai à bancarrota – COLUNA CATARSES CRÔNICAS

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*Vânia Gomes

Sou católica meia boca. Uma vergonha, na verdade, pois já fui — em outra vida, claro — uma pessoa bem envolvida na comunidade. Hoje em dia, vou à missa só de vez em quando, e nem sempre é na Páscoa. Mas quando vou, participo e fico atenta a tudo.

Há algum tempo, por exemplo, fui à missa e foi surpreendente ver, na procissão de entrada, um sacerdote baixinho com solidéu vermelho. Pensei: é um cardeal, mas de onde? Limito-me a dizer, nesta crônica, que não era o cardeal de Brasília.

Antes de a missa começar, anunciaram as intenções: celebração de sétimo dia de falecimento de três pessoas, uns dois aniversários e um aniversário especial, 59 anos de casamento.

O que eu esperava na homilia? O óbvio, o que qualquer pessoa normal esperaria: além de uma breve reflexão do Evangelho e de uma brevíssima menção com palavras reconfortantes aos parentes e amigos que perderam seus entes queridos, uma exaltação aos 59 anos de vida em comum dos velhinhos. Esperava uma ode à família, a uma vida de lutas, de amor, de cumplicidade, de entrega. E qual não foi minha decepção quando o tal cardeal dedicou 99% de seu sermão a enaltecer um dos falecidos, que foi pessoa atuante na comunidade e, muito provavelmente, um tremendo puxa-saco. Desculpem, nem conheço o tal senhor (Deus o tenha!), mas é incrível que o cardeal não tenha feito uma única e singela menção às bodas de cereja de duas pessoas que estavam presentes (vivas!) com seus descendentes. Um absurdo!

Atualmente, é muito difícil um casal alcançar essa marca. Primeiro, porque hoje em dia as pessoas não se casam tão jovens. E segundo, porque muitos casamentos não duram nem dez anos, que dirá bodas de prata, ouro, diamante. Os números não mentem, aliás, corroboram essa segunda premissa. Segundo o IBGE, o número de divórcios aumentou 161,4% entre 2004 e 2014. Em Brasília, a coisa é ainda pior: o DF apresentou a maior incidência de divórcios em 2014. A média de duração dos casamentos não passa de 15 anos.

E então um casal alcança 59 anos de vida em comum e um cardeal (entendam: é um cara que pode ser eleito papa!) não dá o devido valor ao fato. Conclusão óbvia: a igreja católica, definitivamente, está tão ensimesmada, tão despreparada, que seu destino parece ser a bancarrota. O catolicismo está ruindo. E depois não entende por que está perdendo fiéis. Já respondo: por pura incompetência.

Em que pese a simpatia, o preparo e o carisma do Papa Francisco, só 61% dos brasileiros se declarou católico em 2014. Mas Francisco sozinho não consegue conter a debandada, mesmo porque alguns de seus irmãos e subordinados (cardeais, bispos e padres) fazem um servicinho de meia tigela. Pura incompetência. Aliás, quão fiéis eram os “fiéis”?  Quando católicos, acreditavam em Nossa Senhora, em santos e anjos. Viraram protestantes e passaram a abominar suas antigas crenças. Não conheciam Jesus antes, é isso?

Questiono a fé, a minha e a de todo mundo. Mesmo sendo católica meia boca, reconheço em Nossa Senhora a grande mulher que aceitou a difícil missão proposta por seu Deus. Reconheço nos santos pessoas comuns que fizeram a diferença para outras pessoas, para a fé, para a própria igreja; são verdadeiros exemplos de vida cristã. Se um dia essa minha fé mudar, será para nada: virarei ateia. Isso, porque quero muito mais que promessas: quero exemplos de vida verdadeiramente cristã, de amor ao próximo, de entrega. Não acho que Deus ou Jesus vai se ocupar com meus desejos materiais, não quero isso. Há muita doença, muita tristeza, muita fome, muita guerra, muita dor, muita desgraça a que devem ser dedicadas a misericórdia, o perdão e o amor de Cristo. Meus problemas são nada perto dos que massacram a humanidade.

Mas as “lideranças” católicas parecem cegas, incapazes de olhar para dentro de si, enquanto corpo eclesial. E requentam seus próprios feitos e rituais, se perdem na entropia comunitária e não enxergam além das paredes do templo. O exemplo mais claro foi o tal cardeal, que ocupou uns vinte minutos com o senhor falecido dedicado à comunidade; vinte segundos com os parentes e amigos dos outros dois falecidos; e outros vinte segundos com os aniversariantes. Não dedicou um milésimo de segundo ao casal das bodas de cereja.

Por que fui à missa? Fui rezar por uma amiga querida que nos deixou prematuramente; as músicas da celebração eucarística foram emocionantes; o evangelho era sobre exorcismo. Tanto material para explorar, mas o cardeal foi decepcionante. Sou uma católica decepcionante também, mas uma decepção dessas me afasta mais da igreja, da comunidade.

Vivemos uma era materialista, superficial. A igreja católica é feita de homens e, como uma pessoa do meu tempo, foi muita ingenuidade minha esperar algo mais da homilia feita por um homem comum. Ai de mim! Ai da Igreja!

Não sou ninguém, mas mesmo assim perdoo o cardeal. E tenho pena do povo, que, perdido no meio de tantas crenças, está mesmo é desamparado espiritualmente, à mercê de aproveitadores. Triste realidade.

*Vânia Gomes é mineira de Belo Horizonte e vive em Brasília desde 2001, quando se apaixonou definitivamente pela cidade. Aventura-se na escrita de contos, poemas e crônicas e é autora do livro “Histórias do Vaticano e Outros Contos”. Para conhecer mais sobre a escritora, acessehttp://www.vaniagomes.com.br. E-mail- vania@vaniagomes.com.br

 

 

 

Vanitas vanitatum et omnia vanitas – COLUNA CATARSES CRÔNICAS

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*Vânia Gomes

Vanitas vanitatum et omnia vanitas

“Vaidade das vaidades, tudo vaidade”, já dizia o Rei Salomão no Eclesiastes, muitos séculos antes de Cristo. E nos tempos atuais, vemos que nada mudou. Pior, a vaidade humana vem aumentando vertiginosamente. E podemos dizer que no Brasil a coisa está feia. Ou bonita, já que nosso país ocupa a primeira posição mundial no ranking de cirurgias plásticas estéticas.

Esse posicionamento no ranking é apenas um reflexo do alto nível de vaidade da nossa sociedade, da busca pelo corpo dos sonhos, seguindo padrões estéticos impostos por… por quem mesmo? Nem sabemos.

Creminhos antirrugas é para os fracos. O negócio é entrar na faca, aplicar botox, fazer pequenos retoques.

Em pouco tempo, os valores mudaram diametralmente. Na minha adolescência, por exemplo, a moda era cirurgia estética para redução das mamas; hoje em dia, é colocar enormes próteses de silicone. Nós, brasileiras, que sempre nos orgulhamos de ter o corpo tipo pera, agora estamos fazendo de tudo para ter o corpo tipo ampulheta. E cada vez mais nos deparamos com corpos e caras pouco naturais e, em alguns casos, totalmente artificiais. Ainda assim, tem gente em quem nem o Ivo Pitanguy dá jeito. Tudo bem que pode até ser benéfico para a autoestima, mas a vaidade tem tomado outras proporções: a autoadmiração e o exibicionismo.

Todo mundo quer aparecer, quer ser famosinho. Por que tanta gente posta tudo, absolutamente tudo o que faz na vida nas redes sociais? Por que alguns, que atingem o status de celebridade, têm a intimidade “invadida”? Será que é “invadida” mesmo? Sinceramente, acho muito difícil alguém publicar detalhes de divórcios de “celebridades”, por exemplo, sem ter permissão de uma das partes (ou de ambas), por duas razões: a primeira, porque poderá levar um belo de um processo nas costas; e a segunda, porque eu du-vi-de-o-dó que algum funcionário de fórum vá cometer o erro gravíssimo de levar a público um processo de divórcio. Assim, resta a conclusão óbvia de que é preciso manter-se na mídia a qualquer custo, mesmo sacrificando a privacidade individual e familiar. Triste espetáculo. Vaidade que se tornou o ganha-pão de muita gente.

Voltando à abordagem bíblica, a vaidade, juntamente com a arrogância, é considerada um pecado capital no escopo do “orgulho”. Conversando certa vez com meu marido, ouvi dele:

— Mas eu sou vaidoso de minhas conquistas! Custaram-me muito trabalho e dedicação…

— Ah, mas isso não é vaidade — respondi. — Eu acho que você tem é orgulho delas. Pra mim, vaidade é uma coisa, orgulho é outra.

Ele entendeu meu ponto, e resolvemos pesquisar a respeito para clarear nosso raciocínio. Numa abordagem filosófica, o orgulho é algo positivo, porque resulta de uma identificação própria de coisas ou situações que causam alegria no indivíduo — é real, consistente. A vaidade, ao contrário, é vazia. O vaidoso pensa que é algo que não é; é incapaz de entender seu lugar, seu espaço e seu papel na sociedade. Resumindo, o vaidoso se acha. E essa vaidade de espírito talvez seja pior que a vaidade estética, pois está associada à arrogância de se ver destacado dos demais e por isso ser o grande “guru”, sem ter produzido nada ou conhecimento algum. Ou se acaso produziu, achar-se melhor, mais inteligente e mais capaz do que os outros só por isso.

Ah! Quanta vaidade se vê nos dias atuais! Eu, que tenho certa convivência no meio acadêmico, vejo diariamente vaidades nos mais diversos graus. Tem dia que é difícil não se aborrecer, porque outra característica dos vaidosos é que sentem certo prazer em humilhar quem quer que possa esboçar alguma independência de pensamento, melhor dizendo, um pensamento discordante. Infelizmente, isso é mais comum do que podemos imaginar.

Tudo isso, creio, contribui para o diagnóstico de que nossa sociedade está doente. “Ser ou não ser”, atualmente, não passa de uma pergunta antiga, quiçá um clichê. Alimentar e inflamar o ego, ainda que com falsos elogios, está se tornando a meta a ser alcançada dia após dia. Ter e aparecer é o que interessa, o resto nem é tão necessário — vivemos tempos artificiais e, sobretudo, superficiais. A vaidade, portanto, nada mais é do que o sintoma mais aparente da superficialidade social que estamos inseridos. Chega a dar medo. Estamos sem rumo.

*Vânia Gomes é mineira de Belo Horizonte e vive em Brasília desde 2001, quando se apaixonou definitivamente pela cidade. Aventura-se na escrita de contos, poemas e crônicas e é autora do livro “Histórias do Vaticano e Outros Contos”. Para conhecer mais sobre a escritora, acessehttp://www.vaniagomes.com.br. E-mail- vania@vaniagomes.com.br

 

Malhando – COLUNA CATARSES CRÔNICAS

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*Vânia Gomes

Depois que minha editora se mudou para os States vive nos informando sobre como tudo funciona (e bem) por lá. Bom pra ela, porque por aqui tudo continua disfuncional e, claro, quem paga a conta (e passa raiva) somos nós, consumidores. Eu poderia dar diversos exemplos, mas hoje quero “malhar” as famigeradas operadoras de TV por assinatura.

Há cerca de quatro anos, decidimos nos livrar dessa modalidade de entretenimento em casa: assistíamos pouco à TV, e os programas, especialmente os filmes, repetidos, já estavam nos irritando. Sem falar que quando chovia a TV não funcionava. Foi uma luta para cancelar, mas conseguimos, e a tal operadora ficou de vir buscar o aparelhinho transmissor. Não veio.

Após quase três anos, recebemos uma “Notificação Extrajudicial”, em juridiquês (para assustar), mas com um final bem claro: se não restituíssemos o aparelhinho, teríamos que pagar R$ 1.537,15. Era esse o valor do aparatozinho completamente obsoleto. Mas para o azar da tal operadora, não havíamos descartado a “engenhoca”. Ela estava lá, prontinha para ser devolvida, bastava ligar para o número indicado na tal notificação e marcar o dia que eles enviariam alguém.

Assim fizemos. E ninguém apareceu. Ligamos novamente, e fomos enfáticos ao solicitar o número de protocolo e o nome da atendente. Não demoraram dois dias para aparecer, e, claro, devolvemos mediante recibo. Tudo certo pra nós, mas não creio que fomos os únicos a receber a tal notificação. Dos que receberam, quantos ainda teriam o obsoleto aparelhinho depois de tanto tempo nessa vida corrida de hoje em dia? Por que a operadora não vem buscá-lo logo após o cancelamento da assinatura? Tenho cá pra mim que esse é o modus operandi — uma maneira de ganhar dinheiro se aproveitando da boa-fé do consumidor.

Para reforçar minha hipótese, recentemente meu cunhado teve um problema chatíssimo com outra operadora de TV por assinatura. Ele havia pedido cancelamento de um dos pontos de sua casa e a suspensão do serviço no período em que estaria viajando. Pois não é que a conta veio in-tei-ri-nha? O coitado perdeu mais de uma hora de seu dia para rearrumar as contas e, pasmem, não conseguiu. Ao finalizar a ligação, ele disse ao atendente: “Não precisa dizer que a XXX agradece sua ligação e outras babaquices, porque estou muito perto de cancelar tudo”. Lavou a alma de todo mundo em casa!

Ocorre que a operadora tinha uma metodologia: somente após ouvir a gravação do pedido feito há mais de 15 dias, o que levou 48 horas, é que meu cunhado foi contatado para solucionar a questão.

É incrível como nunca conseguimos fazer nada que envolva operadoras de TV por assinatura ou de telefone com rapidez e tranquilidade. Não acredito em incompetência, penso ser uma ação deliberada para conseguir mais dinheiro, já que prejuízo elas nunca têm. Será que essas operadoras são assim nos outros países? Duvido. A verdade é que não existe nada favorável e fácil ao consumidor no Brasil, a não ser a contratação do serviço. Os contratos, aliás, são sempre repletos de letras miúdas, notas de rodapé e haja paciência (e vista) para ler. Qualquer pequena mudança no contrato é dor de cabeça na certa. Para completar, a agência reguladora é ineficiente (ou conivente, vai saber?) e nosso rico dinheirinho acaba nas contas das corporations ou em algum propinoduto qualquer — do jeito que a coisa anda, não descarto essa possibilidade.

Às vezes dá até pena do pobre do atendente que, na prática, não passa de um moleque de recados, deve ganhar muito mal para intermediar as “negociações” dos consumidores com a empresa. É ele quem paga o pato em primeira instância, afinal, naquele momento “representa” a operadora. Aliás, atendentes e operadores de telemarketing são outro tema que merecem uma boa malhada, mas fica para outra ocasião.

Por ora, vale lembrar que com o advento das smart TVs e outros recursos, a TV por assinatura está, aos poucos, deixando de ser uma opção. E nossos problemas devem se reduzir “apenas” às operadoras de internet que, coincidentemente, são as mesmas de telefone e TV por assinatura. No frigir dos ovos, passaremos as mesmas raivas, ainda que tenhamos uma coisa a menos para administrar.

Da experiência em minha casa, posso testemunhar que, além da economia, tudo está melhor depois que cancelamos a TV por assinatura. Temos mais tempo para ler, sair, passear, andar no parque, ir mais ao cinema, ver gente de carne e osso, conversar, conviver. São coisas assim que, no meu entendimento, fazem a vida valer a pena!

*Vânia Gomes é mineira de Belo Horizonte e vive em Brasília desde 2001, quando se apaixonou definitivamente pela cidade. Aventura-se na escrita de contos, poemas e crônicas e é autora do livro “Histórias do Vaticano e Outros Contos”. Para conhecer mais sobre a escritora, acessehttp://www.vaniagomes.com.br. E-mail- vania@vaniagomes.com.br

Coluna Catarses Crônicas – “Life on Mars”

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*Vânia Gomes

Life on Mars

Desde 24 de setembro de 2014, dois países do BRICS estão na órbita de Marte. Além da Rússia, agora foi a vez da Índia chegar ao planeta vermelho. A sonda, batizada de Mangalyaan (que significa Nave de Marte, em hindu), teve um custo bem baixo: US$ 73 milhões. Uns trocados, em comparação aos mais de US$ 2,0 bilhões da sonda Curiosity, da NASA.

O Brasil também tem um Programa Espacial. Não é ruim, mas o fracasso mais recente foi o (não) lançamento do satélite CBERS-3, em dezembro do ano passado, projeto conjunto com a China, outro dos países do BRICS. O CBERS-3 decolou, mas não chegou lá. O foguete chinês responsável pelo lançamento falhou e o equipamento não alcançou velocidade e altura suficientes para orbitar a Terra. Caiu e desintegrou-se na nossa atmosfera.

Mas já temos três satélites em órbita: o CBERS-1, o CBERS-2 e o CBERS-2B. O CBERS-4 foi lançado em dezembro de 2014 e tudo ocorreu conforme o esperado. O projeto total (desenvolvimento, construção e lançamento) foi orçado em cerca de US$ 150 milhões. Parece muito dinheiro, mas não é. As informações (imagens) fornecidas por esses satélites são importantíssimas para diversas áreas, incluindo agricultura, meio ambiente e oceanos, entre outras. Mas, por enquanto, estamos orbitando só em torno de nós mesmos, ainda não chegamos nem na Lua, que dirá a Marte!

E por que sondas em Marte? Finalmente poderemos ter a resposta para a indagação do (já saudoso) David Bowie “Is there life on Mars?” É que a sonda indiana procurará por metano, um gás que pode indicar a existência de vida primitiva no planeta vizinho. E como eu adoro ficção científica e superviajo nas n possibilidades, óbvio que para mim isso tem a ver com a transferência futura de criaturas terrestres para viverem lá, porque, convenhamos, por aqui está cada vez mais difícil. No próximo século, sei não…

Mas o mais legal da notícia da chegada da sonda na órbita de Marte foi a felicidade do primeiro-ministro indiano, que comemorou dizendo, entre outras coisas, que o projeto dessa sonda custara menos do que o filme “Gravidade” (aquele, com a Sandra Bullock e o George Clooney), cujo orçamento foi de US$ 100 milhões. Pegando um gancho na fala do ministro, os espanhóis foram superespirituosos, e fizeram uma lista com as 11 obras espanholas mais caras do que mandar uma nave a Marte. Adorei isso!

Resolvi imitá-los e fiz uma singela listinha brasileira, abordando alguns “investimentos” inesquecíveis. Quem quiser, pode completá-la nos comentários, já que as opções são muitas, ao que parece.

Começo com o Estádio Nacional de Brasília ou Mané Garrincha. Numa cidade que não possui grandes clubes de futebol e muito menos tradição nesse esporte, esse “investimento” já seria caro se custasse uns poucos reais. Mas, nesse caso, foram gastos, nada mais, nada menos, que US$ 830 milhões, o que o coloca na posição de segundo estádio de futebol mais caro do mundo! Perde só para o estádio de Wembley, na Inglaterra. Com essa grana, daria pra mandar mais de 10 sondas indianas a Marte!

Ok, com um estádio decente aqui em Brasília, até eu já fui ver o meu Cruzeiro querido, tão combatido, jamais vencido, vencer o Atlético-PR com mais da metade do time reserva. Além dessas duas equipes, já estiveram jogando aqui na capital federal o Botafogo, o Flamengo, o Fluminense, o São Paulo, o Goiás e o Corinthians, além, claro, da nossa seleção. Ainda assim, não vejo justificativa para tamanha gastança. E o que dizer, por exemplo da Arena Amazonas? É o 19º estádio mais caro do mundo, tendo custado módicos US$ 340 milhões. Vamos ver com o tempo se essa arena se converterá ou não no elefante branco de Manaus.

O próximo item da minha lista é o investimento com que nós, povo da pátria tupiniquim, brindamos nossos magistrados: um auxílio moradia, ainda que tenham imóvel próprio. Bom, vamos fazer as continhas: R$ 4.377,78 por mês para cada juiz; são 12 meses no ano, portanto, anualmente, cada juiz receberá só de “auxílio” à moradia R$ 52.533,36. Como o número de juízes federais é mais ou menos 1.600, nossa continha fecha em R$ 84.053.376,00; agora é só fazer a conversão para dólar e esse “investimento” sairá por apenas US$ 34.790.304,64 (por ano). Sim, bem menos que a sonda indiana, mas para que, mesmo? Para ajudar no “aluguel” de pessoas cujo salário médio gira em torno de R$ 24.000,00, sem as vantagens/ acréscimos da carreira. Aliás, com tanta gente sem teto, com tantos moradores de rua, é até de mau gosto e, porque não dizer, ofensivo que uma classe tão privilegiada receba um “auxílio” moradia. Isso porque ainda não mencionei o auxílio alimentação, que é de R$ 4.900,00! Num país onde parte da população passa fome e a maioria recebe o salário mínimo de R$ 880,00 para morar e alimentar toda a família. Lamentável.

E para fechar minha singela listinha, a obra mais importante: o Porto de Cuba. A gentileza brasileira custou “somente” US$ 682 milhões — nove Mangalyaans. Claro, somos endinheirados, e nosso país não tem problemas como energia, transporte público ou estradas para escoar nossa significativa produção agrícola. Com nossos portos, então, nenhum problema, imaginem! Temos dinheiro de sobra, inflação zerada, nenhum cidadão brasileiro passando fome, escolas públicas de altíssimo nível, hospitais públicos de primeiro mundo e, afinal, Cuba merece. São companheiros de longa data!

Vou ficando por aqui. Se alguém se interessar, como eu disse, pode completar a listinha que iniciei. O último item que escrevi, aliás, me enjoou. Amo meu planeta, e amo mais ainda o meu querido Brasil, mas estou ansiosa para saber como andam as pesquisas no planeta vermelho. É que numa hora dessas dá vontade de pegar o primeiro ônibus, de preferência indiano, e com passagem só de ida pra Marte!

 

 

Vânia Gomes é mineira de Belo Horizonte e vive em Brasília desde 2001, quando se apaixonou definitivamente pela cidade. Aventura-se na escrita de contos, poemas e crônicas e é autora do livro “Histórias do Vaticano e Outros Contos”. Para conhecer mais sobre a escritora, acessehttp://www.vaniagomes.com.br. E-mail- vania@vaniagomes.com.br

Podem me chamar de careta- COLUNA CATARSES CRÔNICAS

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*Vânia Gomes

Tenho andado incomodada com algumas notícias de certos portais da internet. Como cidadã do século passado, mantenho muitos, praticamente todos os valores que eram caros ao século XX. Entre eles, a compostura, e é justamente a falta dela que tem me incomodado.

Meu marido tem uma frase ótima para isso: agora, com a internet, ficamos sabendo de coisas nas quais não temos o menor interesse e que antes dela jamais saberíamos. E é a verdade, claríssima, exibida nas tais notícias onde quase se idolatra a falta de compostura.

Por exemplo, no século XX, mesmo depois do advento da pílula anticoncepcional e da consequente liberdade sexual das mulheres, o número de parceiros sexuais era algo considerado íntimo. Ainda deveria ser, mas uma subcelebridade dessas que sobram por aí revelou certa vez que já esteve na cama com cerca 400 homens. Em que pese parecer um número digno de prostituição, não é este o ponto: a moça pode ir para a cama com quem e com quantos homens ela bem entender. Mas por que e para que anunciar aos quatro ventos algo que, a meu ver, deveria ser íntimo? Qual a vantagem disso? Como cidadã do século passado, só vejo desvantagens.

Reality shows são outra forma da indiscrição e da falta de compostura invadirem nossos olhos, nossos lares, caso acompanhemos. É impossível escapar de tais informações. Ano passado, foi amplamente noticiado que um casal confinado fez sexo sem camisinha. Ok, os sujeitos estão na chuva para se molharem, mas será que não dava para impor algum limite? Ou fazer uma edição menos pornográfica? Claro que sim, mas o que “interessa”, o que vende e ganha pontos no Ibope é justamente a exposição da intimidade.

Outro exemplo: há algum tempo, uma famosa apresentadora de TV sexagenária fez topless, posou para fotos e, claro, postou-as na internet. Não sou contra topless, nem contra sexagenárias estarem com tudo em cima, nem contra tirar fotos de um domingo na piscina, mas, francamente, eu não gostaria de ver minha mãe pagando um micão desses ao postar tais fotos na internet. Alguém gostaria? Será que os filhos dela gostaram? Será que ela não tem um amigo de verdade que possa lhe dizer “menos, querida, menos”?

Elegância e feminilidade, na minha opinião, deveriam nortear o comportamento da mulher. Falo da elegância de modos, da maneira de sentar-se, de se colocar e se comportar em público. A elegância pressupõe sentar-se de maneira adequada, vestir-se decentemente e de acordo com a idade (e não precisa ser careta!), manter certa discrição de sua vida, de suas atividades. A feminilidade pede cuidado com as mãos, os pés, os cabelos. A escolha de roupas, desde a seleção do tecido à modelagem, passando pelo comprimento, são outros itens que contam pontos. Garanto que tais modos chamam a atenção positivamente e, inclusive, ajudam na conquista de empoderamento feminino.

Os exemplos acima, ao contrário, chamam a atenção negativamente. Ou será que a maioria acha a moça dos 400 homens um exemplo de sucesso? Minha Nossa Senhora da Compostura, espero que não tenhamos chegado a esse ponto!

Ainda me recordo de uma ocasião em que, estando no aeroporto de João Pessoa, uma senhora, aparentando ser sexagenária e com um pujante sobrepeso, vestia uma espécie de um collant realmente colado, com alcinhas que pareciam prestes a se arrebentar e uma bermuda igualmente colada. “Amostra grátis do inferno”, comentei com meu marido. E então veio a pergunta: quando foi que senhoras passaram a se achar mocinhas? Eu, que na ocasião, tinha pouco mais de 30 anos, não “ousava” mais cobrir-me daquela maneira, digamos, tão a descoberto. Meus quinze anos já tinham ficado para trás havia muito tempo.

A deterioração dos costumes vem ocorrendo a passos largos. A necessidade de se mostrar e a importância de aparentar em vez de ser estão substituindo valores caros à humanidade, como o respeito, por exemplo. Quem se lembra de uma edição de um reality show em que uma das confinadas, hoje estrela global, não beijava o namorado em frente às câmeras de jeito nenhum? Tinha respeito pelo pai e sabia que ele se aborreceria com sua indiscrição. E pelo que já vi sobre essa moça, posso dizer que ela é a elegância em pessoa, sempre bem vestida e discreta, mas essas suas qualidades nunca são destacadas pela imprensa. Aliás, a imprensa esteve interessada mesmo foi nos porões da separação da moça. A coitada fazendo de tudo para manter a privacidade, ainda mais naquele momento difícil, e a imprensa cavoucando sua vida.

Defendo o direito de cada um ir para a cama com quem bem entender, de amar seu corpo e fotografá-lo da maneira que lhe aprouver, mas defendo também a discrição, as boas maneiras, a boa educação, a compostura, o comportamento elegante. Não precisa anunciar ao mundo que você dá pra caramba, nem que ama seu corpão sexagenário que certamente custou caro.

Se isso é ser careta, podem me chamar de careta, sou mesmo!

Vânia Gomes é mineira de Belo Horizonte e vive em Brasília desde 2001, quando se apaixonou definitivamente pela cidade. Aventura-se na escrita de contos, poemas e crônicas e é autora do livro “Histórias do Vaticano e Outros Contos”. Para conhecer mais sobre a escritora, acessehttp://www.vaniagomes.com.br. E-mail- vania@vaniagomes.com.br

 

Férias no Brasil só para os fortes! – Coluna Catarses Crônicas

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As minhas férias, infelizmente, já terminaram, e, claro, além de dar um pulinho na minha Beagá, passei uns dias na praia. Não em Guarapari, onde baixa a mineirada no verão, mas em Florianópolis, onde temos parentes.

Viajar é turismo, ainda que seja para se hospedar em casa de parentes. E o turismo pressupõe uma série de atividades, com destaque para a gastronomia e a venda de souvenires ou produtos da terra. Turismo pressupõe ainda toda uma infraestrutura para receber os “forasteiros”, pessoal local preparado para lidar com gente, e gente com os mais diversos costumes, vinda de tudo quanto é lugar. Infelizmente, nosso Brasil não tem os requisitos mínimos necessários para receber bem o turista, nem para fazê-lo voltar, nem para que o turismo contribua significativamente com o PIB.

A começar pelos aeroportos, parte fundamental da infraestrutura mínima. Tomemos Florianópolis como exemplo. Pouco antes da aterrissagem de nosso voo, a comissária avisou que a bagagem seria restituída na esteira de número 1. Francamente, o aviso não era necessário: só há uma esteira em Floripa, sendo que a chegada dos voos, geralmente, se dá com poucos minutos de diferença, o que resulta numa multidão se espremendo num espaço mínimo para alcançar as malas. É um aeroporto em que os embarques e desembarques só podem ser feitos com escadas, pois não há fingers. As lojinhas são minúsculas, apertadas e vendem mais do mesmo, nada de arte local, como as rendas de bilro, por exemplo. Esse tipo de artesanato está em perigo de extinção no Brasil, mas se houvesse um incentivo para produzi-lo para turismo, com venda no aeroporto, estou certa de que o número de rendeiras seria maior.

Em geral, os locais mais turísticos no Brasil possuem aeroportos incapazes de atender à demanda adequadamente. Com a Copa do Mundo, o aeroporto de Guarulhos melhorou sobremaneira, e parece estar à altura de ser o maior e mais importante do Brasil. Brasília, agora, tem um aeroporto digno da capital do país, que recebe diplomatas do mundo inteiro. Congonhas já está com jeitão de aeroporto internacional, apesar do porte. Mas o Galeão e Confins ainda que tenham sido reformados, estão muito aquém da nomenclatura “internacional”. Ainda não estive no nordeste depois da Copa, mas tenho cá minhas dúvidas se deram o salto necessário.

Sobre o pessoal in loco, o que dizer? Poucos falam inglês e muitos turistas acabam “presos” aos resorts, verdadeiras “ilhas” onde há gente melhor preparada. Taxistas falando inglês, então… Raridade.

Nossas paisagens também nos garantem como bom destino turístico, mas muitos lugares legais não possuem acesso à internet e, em alguns casos, sequer telefone. O transporte público, na maioria das cidades brasileiras, é fraco, sendo sofrível em muitas delas (como Brasília, por exemplo).

Segurança? Dispensa qualquer comentário, ainda mais que o Brasil contribui com 21 das 50 cidades mais violentas do mundo. E elas são superturísticas: Fortaleza, Natal, Salvador e João Pessoa, para começar. Seria inesperado se o Brasil não estivesse entre os 15 países mais violentos do mundo, com taxa de 32,4 homicídios para 100 mil habitantes (dado divulgado pela ONU em 2014). Na gastronomia até que nos saímos bem. É o que salva, isto é, se as cozinhas dos restaurantes não forem visitadas, claro.

Transporte público é um problema seriíssimo! Poucas cidades contam com metrô decente, que leve as pessoas aos seus pontos turísticos. Só São Paulo e Rio de Janeiro. O uso de ônibus fica prejudicado por vários fatores, incluindo inconstância de horários, falta de um catálogo em inglês com os itinerários e a possibilidade de assaltos. Andar de táxi parece ser a opção, mas os taxistas são despreparados, marrentos e ainda dão voltas para cobrarem mais. Isso sem falar dos acontecimentos em relação ao Uber: parece que parte dessas pessoas que nos transportam a preços exorbitantes são violentíssimas e homicidas até. O Uber seria uma excelente opção, mas num país em que coisas muito estranhas acontecem, tipo grupos de pressão garantindo nicho de mercado, esse serviço não é legalizado por aqui, apesar de funcionar em quase 70 países e estar em plena expansão.

Em 2014, parece que houve um aumento de 1,0 milhão de turistas em relação a 2013, impulsionados, claro, pela Copa do Mundo. Parece que fechamos 2014 com a visita de 7,0 milhões de pessoas vindas de outros países, nada, perto dos 36,3 milhões de turistas que visitaram a Espanha só até julho! Aliás, parte da recuperação da crise espanhola é devida ao turismo.

O Brasil é 16 vezes maior do que a Espanha, tem um litoral quase duas vezes maior do que o da Espanha e deve receber um décimo dos turistas que o país europeu recebe anualmente. Qual é a nossa desvantagem? Além da violência (deve dar medo vir aqui), salta aos olhos a falta de políticas públicas eficientes, de incentivo às pequenas empresas e de formação de pessoal qualificado. Mas a verdade é que se não existe infraestrutura mínima para quem vive aqui, para o genuíno cidadão brasileiro, para os estrangeiros é que não há mesmo! Se um estrangeiro chega ao Brasil sem uma mínima noção de português ou sem um bom guia, está perdido. Literalmente.

Quando voltei da Espanha, onde fiz sozinha parte do Caminho de Santiago de Compostela, me perguntaram se não tive medo. Na verdade, nem me lembrei de sentir medo. A sensação de segurança nas trilhas, ou na beira do asfalto ou nas cidades e vilas, era a mesma: altíssima. Não é pra menos, a taxa de homicídio por lá é de 0,7 por 100 mil habitantes! Corro 38 vezes mais perigo no Brasil do que na Espanha! Socorro! Acho que isso explica por que as pessoas não se interessam pelo Brasil como destino de férias. Detalhe: internet funcionando nos locais mais ermos possíveis! Coisa que não temos no Brasil meeeesmo!!

Vir ao Brasil como turista, portanto, é tarefa para os fortes, destemidos, aventureiros ou desinformados.

Bom fim de semana procês!

Vânia Gomes é mineira de Belo Horizonte e vive em Brasília desde 2001, quando se apaixonou definitivamente pela cidade. Aventura-se na escrita de contos, poemas e crônicas e é autora do livro “Histórias do Vaticano e Outros Contos”. Para conhecer mais sobre a escritora, acessehttp://www.vaniagomes.com.br. E-mail- vania@vaniagomes.com.br

ESTREIA DA COLUNA “Catarses Crônicas”

Vânia_perfil

Hoje, estreia a Coluna “Catarses Crônicas”,  de nossa sindicalizada e vice-Presidente, Vânia Gomesmatricula 159.

A colunista trará reflexões sobre temas diversos.

Vânia Gomes é mineira de Belo Horizonte e vive em Brasília desde 2001, quando se apaixonou definitivamente pela cidade. Aventura-se na escrita de contos, poemas e crônicas e é autora do livro “Histórias do Vaticano e Outros Contos”. Para conhecer mais sobre a escritora, acessehttp://www.vaniagomes.com.br. E-mail- vania@vaniagomes.com.br

2015: um ano para ficar na História

Não me parece que esta seja uma página infeliz da nossa história, como alguns andam reverberando por aí. Tampouco considero nossos tempos perfeitos, longe disso, mas a verdade é que as falcatruas estão vindo à tona, pouco a pouco e com uma velocidade crescente, como jamais aconteceu em nossa História. Penso que estamos faxinando o Brasil.

Duas “instâncias” saem fortes com toda essa crise. A primeira é a Polícia Federal, claro. Sem ela, sem sua isenção de ação, não chegaríamos aonde chegamos e não chegaremos aonde devemos chegar, ainda que atrasados. A segunda somos nós, povo brasileiro. Sairemos fortalecidos da crise enquanto povo, estamos sabendo das tenebrosas transações e começando a entender a trama da suja política brasileira. Não sou ingênua a ponto de achar que isso será suficiente, mas vejo esse quadro como uma quebra de padrão em nossa História.

Analisando friamente: deixamos a condição de colônia por mãos portuguesas, ou seja, por quem já estava no poder. A proclamação da República foi um golpe com forte atuação militar e de cafeicultores insatisfeitos com a Lei Áurea, ou seja, os poderosos do império. A Velha República foi desmantelada por militares que entregaram o governo provisório a Getúlio Vargas, que tratou de ficar lá por mais tempo (um total de 15 anos), com muito apoio militar. A ditadura getulista também acabou por iniciativa dos militares. Getúlio assumiu de novo em 1951 e saiu da vida para a História, em 1954. Sofremos um golpe militar dez anos depois (esta, sim, a página mais infeliz de nossa história republicana) e quem nos livrou dessa ditadura foram os próprios militares, já que a redemocratização aconteceu quando eles decidiram.

Agora é diferente, são os servidores civis da nação trabalhando com afinco em prol de todos. É a Constituição de 1988 colocada em prática, com todas as instituições de controle do Estado envolvidas. Sinto que estamos sendo libertados por nossos iguais, e isso me dá uma enorme satisfação.

Neste sentido, aproveito a oportunidade para abrir um parêntese e dizer à V. Excelência, Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha:

“Meu senhor, quem não deve não teme. Se V. Excelência não tivesse a mínima suspeita pairando sobre sua cabeça, certamente não haveria necessidade de gastar recursos do Estado brasileiro com busca e apreensão em recantos de sua influência e de seus paus-mandados. Naturalmente, esse argumento serve para todos os outros envolvidos nas operações da PF, incluindo o senador preso e o filho do Lula, ou o próprio Lula. Por favor, compreenda que o alvo da PF não é um ou outro partido político, mas qualquer pessoa física ou jurídica que atente contra a nossa nação, esteja ela ligada a que partido for, ou mesmo a nenhum. Mas o seu caso é agravado porque V. Excelência é Deputado Federal, Presidente da Câmara dos Deputados, e ainda utiliza seu cargo público para manipular o rumo das investigações sobre sua pessoa e, mais ainda, o julgamento de seus atos. O que mais o senhor queria? Huuum, deixe-me adivinhar: talvez o mesmo que o Francis Underwood. Ocorre que isso jamais poderia lograr êxito, suas aspirações são totalmente diferentes. Frank quer poder, nada de contas na Suíça, nada de Jesus.com e outras do gênero. Frank Underwood é bem mais inteligente e focado. Frank é um criminoso imoral, amoral, sem um pingo de ética, mas não mexe em dinheiro que não é dele (pelo menos não mexeu até o final da terceira temporada de “House of Cards”). Já o senhor, bem, há dúvidas quanto a isso, para dizer o mínimo.”

“Também me parece que o senhor despreza seu povo e acha que o ‘mal’ que lhe atinge é uma encomenda do governo ao qual o senhor se opõe. Não é. Ou seria mera ‘coincidência’ que alguns do PT e o senhor e seus paus-mandados estejam envolvidos nos mesmos esquemas? Um dia a investigação chegaria aos seus domínios. A teia é complexa, mas nossos bravos agentes e delegados da PF a estão desemaranhando, dentro da Lei e dos princípios constitucionais. Apesar de ser o Presidente da Câmara, tenho cá minhas dúvidas se o senhor sabe o que é isso.”

Fecho o parêntese.

Este ano de 2015 foi, portanto, um ano diferente. Estamos conhecendo todo o potencial de nossa democracia e de nossas instituições a cada prisão de um bambambam corrupto. Ousaria dizer que estamos no começo de uma nova era, apesar de todos os problemas. Sou intrinsecamente otimista, e vejo que estamos escrevendo uma página de nossa História que dará muito orgulho aos nossos futuros compatriotas. Estou certa de que teremos de volta nosso orgulho de ser brasileiros e de ter feito uma faxina completa em nossa política. Estamos apenas no início.

Como ainda estamos só começando o ano, desejo a todos um Feliz 2016!