Projeto Memória

Aqui, um espaço de resgate das histórias – contadas por nós ou outrem- dos fundadores de nossa entidade.

=============================================================================================

Primeira entidade sindical de Escritores do Brasil, o Sindicato dos Escritores do Distrito Federal (Sindescritores) teve início em 1977 e registro definitivo em janeiro de 1979, tendo 06 de fevereiro de 1979, como data oficial de fundação . Originou-se da Associação Profissional dos Escritores do Distrito Federal, criada por Alan Viggiano e outros 57 escritores de Brasília.. Conta com filiados de todos os estados do Brasil e alguns do exterior.

Segundo o livro História da Literatura Brasiliense, de Luiz Carlos Guimarães da Costa: 

EX- PRESIDENTES:

Alan Viggiano 

Antonio Carlos Osório

Fernando Mendes Viana

Ézio Pires

Guido Heleno

Clóvis Sena

Menezes y Morais

Gustavo Dourado

Meireluce Fernandes

Elias Daher Jr. 

=========================================================================================

alan-viggiano-escritor-2Alan Viggiano

” (…) advogado e jornalista, chegou à cidade em 1963. Veio de Inhapim (MG) e, na época, acreditava ser influenciado pela literatura regionalista, mas a vivência na capital foi aos poucos acrescentando novas formas narrativas e Alan acabou por enveradar por uma escrita mais psicológica. ‘‘A influência principal de Brasília foi que minha literatura passou por uma fase mais psicológica, de reflexão sobre a alma’’, conta. Alguns dos contos e histórias registrados por Viggiano em seus mais de dez livros têm Brasília como cenário, mas isso não é uma regra(…)” Fonte- Correio Braziliense – 04 de fevereiro de 2004

” Alan Viggiano considera esses os principais prêmios que recebeu como escritor: Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, com o Livro O Exilado (contos e novelas); Prêmio Francisco Alves com Uma Aventura Linguística; e o Prêmio Coelho Neto (romance) com o livro Lisábria de Jesus.

Bibliografia

Amanhece (romance), 1966, Belo Horizonte, Editora Perspectiva, da Imprensa Oficial de Minas Gerais;Itinerário de Riobaldo Tatarana, ensaio, (quatro edições — Editora Comunicação, Editora José Olympio, Editora Mercado Aberto e Editora Crisálida);

Manual do Lobo, humorismo, 1976; O exilado, contos, 1976; Estudos de comunicação moderna, artigos, 1977; O século do sonho, romance, 1981; Mitavaí Arandu, herói de muito caráter, ensaios, 1982;

Afrodite em Grande Sertão: Veredas, ensaio, 1987; Uma aventura lingüística, reportagem, 1990; Dicionedotário — Mil piadas de salão, humorismo, 1996;

Dossiê Grupo dos Sete: Os povos e países de língua portuguesa, 1994;Missão em Portugal, história, 1997;José Aparecido, inventor de utopias, biografia, 1999; Lisábria de Jesus, romance, 2000; e Meninos, eu li, narrativas biográficas, 2006.” . Fonte: Nós Revista – http://www.nosrevista.com.br/2010/06/09/associacao-nacional-de-escritores-homenageia-alan-viggiano/

=========================================================================================

Ézio Pires -1

Aos 84 anos, Ézio Pires é homenageado em sarau na Biblioteca Nacional

Fonte: Correio Braziliense – http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2011/06/07/interna_diversao_arte,255694/aos-84-anos-ezio-pires-e-homenageado-em-sarau-na-biblioteca-nacional.shtml

Postado em 07/06/2011 10:31 / atualizado em 07/06/2011 13:47

Para um poeta, a inspiração para escrever pode surgir de pequenas coisas, inclusive das experiências da vida. Com Ézio Pires, não é muito diferente. Os 84 anos de idade deixaram marcas em sua extensa criação. O reconhecimento desse trabalho vem em homenagens como a que ele recebe hoje, às 19h, na Biblioteca Nacional, no 18º Poemação, que privilegia a poesia brasiliense e serve como prólogo da 2ª Bienal Internacional de Poesia de Brasília, marcada para setembro.
Ézio Pires é um dos fundadores do Sindicato de Escritores do Distrito Federal e um dos precursores da criação literária em terras candangas. “Atualmente, sou um aposentado que me recuso a me recolher aos meus aposentos”, afirma ele, que trabalhou durante 19 anos como jornalista político e crítico literário do Correio. Dessa forma, a inquietude mental, misturada a boas doses de idealismo, não deixa esse fluminense radicado em Brasília desde 1960 parar de produzir.

O currículo extenso, com 12 livros publicados— entre eles, A beleza tem fome, Anjas, Hora marginal e Poema interrompido —, traduz o empenho dele em colocar no papel um raciocínio complexo e romântico ao mesmo tempo. Tanto que, com mais um livro prestes a ser publicado, o Tempo surdo do pós-nada ao pós-tudo, ele justifica a preocupação em preservar a própria obra para que ela seja apresentada a gerações futuras. “Sou um velho frustrado e entristecido por conta da memória. Fui homenageado diversas vezes, mas isso apenas representa que estou vivo. Mas e quando eu morrer? O que será feito das coisas que fiz?”, questiona.

Segundo ele, os brasileiros têm memória curta e, por isso, merecem uma autarquia que mostre a história nacional a partir de uma visão como a do povo, não de uma classe política dominante, que seleciona os temas a serem abordados nas escolas. “Na homenagem, vou fazer um discurso no qual quero expor a minha ideia de criar o Ministério da Memória Nacional, desvinculado do Ministério da Cultura”, promete.

O órgão governamental defendido por ele teria três departamentos básicos: o de memória histórica, que registra os eventos sociais; o de memória estética, que trata das “belezas” da vida; e o de memória histérica, que são todos aqueles fatos que a sociedade subestima, mas são importantes. Ainda conforme o poeta, o ostracismo pode se tornar uma arma apontada contra a própria vida, ou da sociedade.

Sobre a época em que atuava como militante político e criador do sindicato, ele afirma que tudo não passou de um período da vida, na juventude. O autointitulado “anárquico-conservador” se diz um revolucionário que nunca fez revolução. “Quando estava no sindicato, descobri que um escritor não pode fazer greve, pois isso é um boicote a si mesmo”, brinca.

Esse cérebro que não para aprofunda-se em dois pontos que podem mover a vida. O amor, reitera ele, é a mais pura expressão de preocupação com outra pessoa. Já a vergonha traz o discernimento necessário para a vida em sociedade. “Estou fazendo um inventário de como essas duas palavras são empregadas em textos. Pero Vaz de Caminha, por exemplo, menciona a palavra vergonha 13 vezes na carta do descobrimento do Brasil. Isso tudo porque a literatura está baseada nesses dois pilares sentimentais”, completa.

POEMAÇÃO 18
Sarau em homenagem a Ézio Pires, hoje, às 19h, no auditório da Biblioteca Nacional (2º andar). Participação dos poetas Antonio Miranda, Oleg Almeida, Donne Pitalurg, Yanoré Flávio e do grupo de choro Nois & Rita. Informações: 3325-5220. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

Leia alguns poemas de Ézio Pires

Vida Torta

Estava só
Na rua
Olhando pra lua
A polícia
Me levou:
Protestei
Contra a invasão
Da minha solidão
Mas sem jeito
Me vi suspeito
De vida torta
Em horas mortas…

Pra Dançar

No baile das máscaras
A morte
Entra pelos fundos:
Discretamente me olha
E me
Chama pra dançar.
E dançamos até acabar a noite.

Santas Mulheres

Chego aos confins da solidão
Azul
Em carne e osso
Deste corpo nú de ódio
E amor

Estou na sombra
Das santas mulheres putas…
Mil vezes ao dia
Elas abrem suas veias no cio

Para ver
Um desejo que não existia
Para o ato de morrer p/ elas
Guardo as mãos livres
Coração intacto
Que bom viver
Sem querer viver

Na sombra
Das santas mulheres putas…

Conservador

Em direção ao amor
Distante
Sou poeta
Caminhante…
Fico anárquico/conservador
Só pra ver o amor desta vida
Pelos instintos
perseguidos

—————————————–

Ézio Pires -2

Jornalista que veio para Brasília com o STF fala da resistência à mudança

postado em 28/08/2010 07:57 / atualizado em 28/08/2010 10:48

Conceição Freitas

Fonte” http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2010/08/28/interna_cidadesdf,210227/jornalista-que-veio-para-brasilia-com-o-stf-fala-da-resistencia-a-mudanca.shtml

Anarquista, sim, mas conservador também. O poeta, jornalista, síndico, escritor e funcionário público aposentado Ézio Pires tem a tese e a antítese em si mesmo. É a sua singular dialética. O bravo candango nascido em Cantagalo, Rio de Janeiro, acompanhou de muito perto a resistência do Supremo Tribunal Federal a se mudar para Brasília. Ele era assessor de imprensa do STF quando os ministros da mais alta corte do Judiciário emitiram decisão contrária à transferência da capital em 21 de abril de 1960. Continuou assessorando o Supremo até 1998, quando se aposentou, aos 49 anos.

Encontro Cabeças/Divulgação

Ézio explica seu anarco-conservadorismo: “Sou um anarquista que defende a lei, que precisa da lei para fazer anarquia. O Estado é o principal opressor do homem, mas eu preciso da lei para dizer isso. Sou anarco-conservador porque preciso do Estado de Direito. Preciso do Estado para combater o Estado”.

Ézio Pires está com 84 anos, mas continua pensando e falando com o fôlego de um atleta olímpico da natação. Há duas décadas vive com uma companheira 44 anos mais jovem, Regina, agora com 39. Há três meses, foi eleito síndico de uma de suas duas moradias, o apartamento do Lago Norte. O casal e as duas filhas, de 14 e 10 anos, moram no Plano Piloto e no Condomínio Entrelagos. É Ézio quem leva e busca as garotas na escola. Nos intervalos, escreve poemas, cartas aos jornais, livros e conversa o quanto pode. Tem mais três filhas do primeiro casamento.

A aventura de ser Ézio Pires começou para valer quando ele tinha 14 anos. A mãe havia morrido no parto e o adolescente decidiu então que era chegada a hora de pegar “a carta de alforria”. Embarcou num trem e desembarcou em Niterói. Tentou ser marinheiro, mas, quando ia embarcar no Almirante Duque de Caxias para aprender a profissão de comissário de bordo, foi impedido de navegar por causa da idade, 16 anos.

Carlos Moura/CB/D.A Press

Com a ajuda de amigos do pai, virou redator de anais do Tribunal Superior Eleitoral, depois se transferiu para a Procuradoria-Geral da República até chegar ao STF. Ao mesmo tempo, era repórter da Asa Press e do Correio da Manhã, o poderoso jornal carioca que, como os demais, era contrário à mudança da capital. Assessor de imprensa, repórter (“naquele tempo tudo podia”) e poeta. Enfronhado nos meios culturais, conseguiu a publicação de seu primeiro livro de poemas — feito mirabolante, como costumam ser os acontecimentos na vida de Ézio.

Concretista
Era preciso encontrar um título para o livro, e rapidamente. Encontrou, num dos bolsos de um casaco, um pedaço de papel onde anotara: “Menina S30”. Tratava-se do lembrete do endereço de uma garota com quem cruzara no bonde. “Ela tinha a batata da perna muito bonita. Ela desceu do bonde e eu desci atrás dela. Ela entrou num prédio que tinha uma placa do Partido Comunista Brasileiro com um letreiro sobre o socialismo. Era o número 30 da rua. Então, escrevi: Menina S30.” (S de socialismo). Pronto. Estava escolhido o nome do primeiro livro de poemas de Ézio.

Acompanhe a série Bravos Candangos pelo hotsite do Correio

Um jornalista que recebeu um exemplar do Menina S30 viu na obra a estreia de um poeta concretista. “Me deram meia página no Jornal do Brasil. E eu nem sabia o que era concretismo. Aí tive de descobrir, né?” Tudo isso aconteceu quando Ézio ainda morava no Rio de Janeiro. O ano: 1958. O poeta aproveitou o sucesso do primeiro livro e passou a frequentar os meios culturais, a Livraria São José entre eles. Quando chegou 1959, o debate entre os intelectuais era a transferência da capital. Foi então que o mais novo poeta concretista soube que Augusto Frederico Schmidt, também poeta e amigo de Juscelino Kubitschek, havia sugerido ao presidente um modo eficaz de convencer o Legislativo e o Judiciário a virem para Brasília. Que ele doasse aos magistrados e aos políticos lotes para construção de mansões em áreas nobres de Brasília, que dobrasse seus salários e lhes desse dois anos de redução do período de contribuição para a aposentadoria. “Desse jeito, Juscelino acabou com a resistência. Até eu me beneficiei com isso”. Ézio só não ganhou lote do Setor de Mansões Park Way.

Seduzidos pelos benefícios que Juscelino lhes concedeu, os resistentes se convenceram a deixar o Rio de Janeiro. Em junho de 1960, Ézio chegou a Brasília acompanhando os ministros do STF. “A cidade era de uma beleza de morrer, estarrecedora, de quem estava querendo morar no céu.” Mesmo assim, os funcionários dos três poderes ficavam na nova capital de segunda a sexta-feira. Antes do final da tarde do último dia útil, todos estavam no aeroporto para pegar o voo da Cruzeiro do Sul rumo ao Rio.

Anos de chumbo

Ézio é um poço sem fundo de histórias. São tantas que ele encadeia uma na outra, sem ter terminado a anterior, numa corrente frenética que o deixa sem fôlego. Dos últimos 50 anos de testemunho de Brasília, o concretista guarda com fervor os dias que antecederam a decretação do AI-5, o ato institucional que endureceu a ditadura militar de 1964. “Aquele dia (13 de dezembro de 1968) foi angustiante. No final do dia, três amigos meus, os ministros Hermes Lima, Evandro Lins e Silva e Victor Nunes Leal, me pediram pra levá-los a um bar discreto onde pudessem…”. Ézio não consegue completar a frase. Os olhos ficaram vermelhos. Os três foram cassados. As memórias desse período estão registradas em Histórias não publicadas da Justiça em Brasília, ainda não publicado.

O poeta — que trabalhou 19 anos no Correio Braziliense, de 1961 a 1980 — também foi vítima dos anos de chumbo, e por culpa da poesia. Ele havia organizado uma exposição do “movimento pós-concretista do poema processo”, que traduz como uma “encrenca revolucionária”. A intervenção artística consistia em “despojar a palavra”. Um desses despojamentos, porém, não agradou ao Pelotão de Investigações Criminais do Exército. Tratava-se de uma tela na qual a palavra Chevrolet aparecia dividida em duas partes: “Che”, bem grande, e “Vrolet”, bem pequena. A polícia política viu naquela composição uma homenagem ao parceiro de Fidel Castro na revolução cubana. Ézio só saiu da cadeia depois que o diretor-geral STF ligou para o Exército.

Quem tem tanto a contar e a fazer não tem tempo para envelhecer. Mas não se esconde da morte. “Ela é a companheira inseparável de todos os que lutam pela vida. É aquela que quanto mais você foge, mais ela gosta de você. Então você tem que deixar que ela chegue.” A morte vai chegar um dia, mas terá muito trabalho para encontrar Ézio Pires. Ele não para quieto nem calado.

=====================================================================================

Menezes y Morais

Fonte: https://jornalistaescritor.wordpress.com/2008/10/15/menezes-y-morais/

– Realizada no dia 09.09.08, na casa do autor no condomínio verde, no Jardim Botânico, às 20h.

Nome completo: José Menezes de Morais

Nascimento: 29 de julho de 1951, em Altos (PI)

Em Brasília desde: 1980

Bibliografia:

– Laranja partida ao meio, 1975

O suicídio da mãe terra, 1980

Pássaros da terra com paisagem humana, 1882

Diário da terra & cenas da cidade sitiada, 1984

1964 – poemas do sufoco, 1986

A balada do ser e do tempo, 1987

O livro das canções de amor & outros cantares de igual teor, 1990

O rock da massa falida, 1992

Na micropiscina da lágrima feliz, 1999

Por favor, dirija-se a outro guichê, 2001

 

– Breve perfil (retirado do Dicionário de Escritores de Brasília, de Napoleão Valadares)

Diplomado em História. Veio para Brasília em 1980. Jornalista, professor, repórter. Colaborou em periódicos. Filiado ao Sindicato dos Escritores do Distrito Federal (presidente). Partic. de várias antologias, entre as quaisPoetas brasileiros, vol. 1; Poemas, 1990, SEDF; Antologia da nova poesia brasileira, 1992, org. de Olga Savary; Ibirapitanga, 1994, SEDF; A poesia piauiense no Século XX, org. de Assis Brasil.

 

PERGUNTAS
1. Fale um pouco da sua obra e, principalmente, da sua poesia.
Os meus poemas e tudo o que escrevo questiona a condição humana. Sou um poeta das idéias. Dos meus 10 livros publicados, oito são de poesia, um de contos e um de teatro. Dos outros 11 que estão guardados, nove são de poesia também. Então eu, como poeta, dependo muito do poema. Pode ser de amor, de protesto, de noticia ruim que provoca um sentimento e faz aquilo ir pro papel. Não é um entretenimento pelo entretenimento. Eu tento levar o leitor para uma coisa maior, a questão do relacionar-se nesse mundo.

  1. Como se tornou jornalista e escritor?
    Quando eu estava no 4º ano do primário, eu escrevi um poema, aos 10 anos, sem saber o que era poema. Coloquei letra em uma melodia. Então desde que me entendo como gente, sou poeta. Eu nasci na cidade de Altos, no Piauí, em 1951. Eu com meus 15, 16 anos já era conhecido como um formador de opinião em Teresina e fui chamado para ser editor de cultura de um jornal da cidade antes de ter 18 anos. Já entrei no jornalismo por cima, em cargo de editor. Fiquei dois anos lá e gostei tanto do jornalismo que resolvi ir para o Rio de Janeiro estudar. Fiquei lá por cinco anos. No dia 2 de maio de 1980, vim pra Brasília passar férias e aqui fiquei. Até hoje.
  2. No que você acha que o jornalismo melhora a literatura?
    O jornalismo melhorou a minha literatura porque me colocou em contato direto com a realidade. Então aprimorou minha formação humanística. Claro que conciliar o jornalismo com a literatura não foi tarefa fácil, porque, na verdade, qualquer profissão suga muito o escritor e atrasa o processo literário do indivíduo. O jornalista atrapalha a literatura pelo tempo físico, porque livro é coisa para mais de um ano. Mas ajuda pelo exercício diário de redação. De qualquer forma, eu amo o jornalismo, porque é ele que paga as minhas contas. Ser escritor, ser poeta, é a satisfação da minha existência.
  3. Você acha que dá para conciliar jornalismo e literatura?
    A experiência histórica mostra que sim, dá para conciliar, porque tem muito jornalista escritor no Brasil. Quando não concilia, é porque uma vocação bate mais forte que a outra. A própria a Rachel de Queiroz, que era jornalista e escritora, dizia que não dava para viver só com uma coisa ou só com outra. No meu caso, a literatura alimenta minha existência. O jornalismo garante a minha sobrevivência.
  4. Você mora nesse condomínio isolado, longe do Plano Piloto, verde, sem barulho nenhum. Não se sente sozinho nesse sobrado vazio, cheio de livros e com pouca mobília? Ou o silêncio te ajuda a escrever?
    Não é o silêncio que faz o escritor, mas essa paz aqui ajuda. O barulho desconcentra. Assim que eu me formei em Jornalismo, recebi uma proposta de emprego pra Veja de São Paulo. Uma semana na cidade foi o suficiente para eu chorar com o dióxido de carbono da capital. Não agüentei. Nessa casa, isolado, que moro desde 2000, eu produzi mais do que na minha antiga, na 116 norte. Foram duas peças de teatro, um romance e vários livros de poesia. Maximizei meu processo literário.
  5. Como avalia a literatura brasiliense hoje?
    Brasília tem muita gente na literatura. Acho que na verdade tem muita poesia, pouco poeta, porque a maioria dos escritores faz prosa. Mas uma parte dos que estão no cenário literário brasiliense veio do coletivo de poetas, movimento de 1990, época que eu era presidente do Sindicato dos Escritores. O Coletivo continua realizando saraus em Brasília e isso é muito bom, porque mantém forte a literatura da cidade. A cidade tem os poetas dessa época, os que chegaram depois. Tem muita gente boa produzindo no DF e no Brasil. O que falta é editora, que acha que poesia vende pouco. Drummond mesmo, que era Drummond, vendeu só três mil exemplares.
  6. Mas por que você acha que a indústria cultural marginaliza tanto a poesia?
    A tiragem é pequena nesse ramo. Quem gosta de poesia é diferenciado, tem opinião melhor. Ao longo da história, os poetas sempre incomodaram. Resumem uma tomada de consciência. Os poetas sempre se posicionaram contra as injustiças. Foi assim no nazismo, nas ditaduras, no capitalismo desumano. Mas a poesia não pode ser só panfletária. Também tem que cuidar da qualidade estética. E grandes poetas conseguiram conciliar forma e conteúdo – há uma fome de estrelas e proteínas no ramo.
  7. E, sem as editoras, como você faz pra fazer com que sua poesia chegue ao público?
    Ah, 90% dos poetas tem produção independente. Só uns 10% tem editora, e porque ralaram muito para conseguir. Tem é que sair vendendo de mão em mão, recitar para o público, mostrar seu trabalho de um em um, colocá-lo na internet. Hoje sou professor de História em escolas de ensino médio, o que ajuda muito com o dinheiro que a poesia não traz.
  8. Você acha que já ser conhecido na mídia como jornalista facilita a divulgação da sua obra literária?
    Facilita, com certeza. Mas o nome que eu assino no jornalismo (José Menezes de Morais) é diferente do que eu uso na poesia (Menezes y Morais). Eu quis isso para não misturar as duas coisas. E o nome poético é algo mais amplo que o jornalístico. Além de que o meu “de Morais” sempre fez com que as pessoas achassem que eu era parente do Vinicius – aqui no Brasil e no exterior também. No Paraguai, por exemplo, quando fui acompanhar o José Sarney numa viagem em 1986, o guarda me perguntou se eu era filho do poeta. Com o y, não tem essa confusão.
  9. Como é seu processo de criação literária?
    Quando escrevo, é como se eu estivesse sozinho. Minha literatura é um ato de gestação, vai saindo devagarinho. E depois que sai, a melhor sensação é a de lamber a cria. Me sinto mais gente quando produzo literatura ou jornalismo. Me isolo, tiro o momento pra mim, deixo, volto para ver como está. Depois que escrevo de primeira, dou um certo distanciamento do texto, depois volto. Quando eu chego a colocar uma poesia no papel, é porque já estava com ela há tempos, aquela coisa me aprisionando. Tanto é que eu mastigo o meu texto que uma vez, quando tinha 20 anos, perdi meu caderno de poemas. 80% deles eu consegui recuperar, porque os tinha de memória.
  10. Qual a principal diferença que você vê entre jornalismo e literatura?
    A literatura tem mais liberdade, pode traduzir a realidade. Mas o jornalismo tem que traduzir a realidade, senão… o historiador também traduz, mas com mais rigidez.
  11. Que conselhos você daria para um jovem jornalista que pretende ser escritor?
    Viver, viver e viver. E nisso está incluído ler muito. A pessoa tem que viver, porque inspiração não vem da experiência dos outros. Para escrever sobre a condição humana, é preciso viver a condição humana. E a gente aprende um pouco com cada pessoa que conhece.

=====================================================================

Gustavo Dourado

Entrevista a Jornalista Giselle Lima (10/11/2003)

Giselle – Quantos escritores existem no DF?
GD – Autores com livros publicados já ultrapassam a casa de 2 mil ou mais, de 1957 a 2003. Em todas as áreas da literatura, da ficção, do ensaio, da pesquisa, da política e da poesia etc
Só a Thesaurus já publicou mais de mil autores em todos os níveis e estilos, segundo o seu propietário.
Na órbita do Sindescritores http://www.sindescritores.com.br, temos atualmente mais de 700 escritores filiados com livros publicados(1979/2003), nos diversos estilos e linguagens.
Quando fui Assessor de Literatura do GDF, na Fundação Cultural/Secretaria de Cultura, no Governo Cristovam Buarque organizei mais de 500 lançamentos de livros no Teatro Nacional, na 508 sul, em bibliotecas, livrarias, espaços culturais, cafés, restaurantes e até na Rodoviária, em shoppings, nas cidades-satélites, nos mais diversos lugares. Uma boa fonte de consulta é o Dicionário de Escritores Brasilienses , de Napoleão Valadadares, os livros do escritor e jornalista Joanyr de Oliveira, A Enciclopédia da Literatura Brasileira, da Equipe de Afrânio Coutinho(Im memorian).Livros de Anderson Braga Horta e Menezes y Moraes.
As diversas coletâneas e antologias literárias.
Seria necessário uma pesquisa mais científica e mais detalhada, para se ter um número mais confiável e próximo da realidade.
Giselle – Quais os principais prêmios dos escritores daqui?
GD – Os Escritores daqui, já conquistaram quase todos os principais prêmios literários do Brasil, alguns até no exterior. Em quase todos os certames e concursos, geralmente se identifica um escritor radicado no Distrito Federal.
Dentre os principais prêmios que são badalados pela mídia, destacamos: Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, conquistado por alguns autores locais: Anderson Braga Horta, Francisco Alvim, Cristovam Buarque, Domingos Carvalho da Silva.Mais de 15 foram premiados pela Academia Brasileira de Letras: Allan Viggiano, Cassiano Nunes, Antônio Carlos Osório, Luiz Adolfo Pinheiro, Luiz Manzolillo, entre outros.
Prêmios Nestlé: Stella Maris Rezende, Jorge Sá Earp, Lourenço Cazarré Tentei divulgar uma pesquisa que fiz na Secretaria de Cultura, de 1995 a 1998 sobre os escritores de Brasília e os prêmios conquistados por esses autores. Ninguém divulgou. Todos os relises foram para a lata de lixo. Parece um complô. Quem sabe uma conspiração…rssss.
Giselle – É verdade que quando um escritor tenta publicar um livro em outro estado geralmente ele consegue?
GD – A maioria consegue um não. Alguns felizardos conseguem. E$critores poderosos como José Sarney, Marcos Vilaça, ou outro Senador, Deputado ou Ministro, que às vezes se fazem de escribas. Ou algum escritor que tenha influência ou amizade com alguns figurões do poder ou da mídia. O caminho fica bem mais fácil.
Não só conseguem publicar como têm fácil acesso à Academia Bra$ileira de Letra$ e outras academias de plantão. Bastam querer.Com dinheiro quase tudo acontece. Até um poste pode se tornar um nobre acadêmico, se tiver o diploma de senador, deputado ou ministro, tudo fica mais fácil… Para ess a gente, o que vale é o poder, o jogo de influências e a força do dinheiro. Aliás comenta-se à boca pequena, nos corredores literários que muitos nem são escritores. Só assinam o que alguns competentes “aspones” e consultores, escrevem. Com dinheiro quase tudo acontece.Compra-se elogios e espaços. Vivemos num mundo de consumo e capitalista torpe e decadente. Vale-se pelo que se tem, não pelo o que se é. Quem tem o poder dita as normas em todos os setores. Autores medíocres são bajulados por alguns “jornali$tas”, midiotas e comunicólogos de carteirinhas, que fazem “reportagens” teleguiadas pelos diretores de redação ou pelo Presidente do meio de comunicação. Os retornos publicitários são muitos bons e rentosos, além de suculentos “jabaculês”, viagens e etcs. Os autores brasileinses em sua maioria não tem dinheiro para publicidade e não tem o suporte de uma grande editora e de assessorias de imprensa e agentes literários. Sabe-se de casos de jornalistas que esperaram de 1 a 2 horas para falar com um desses e$critores poderosos. É o jogo do poder…é o tipo de e$critor que eles falam bem e bajulam para ficarem bem com os chefes e não perderem os seus empregos e posições de comando, principalmente nos ditos suplementos e editorias de cultura. Ganham viagens para jornadas, feiras e festivais e gerlamente fala-se muito de quem paga. É o jornalismo e crítica da adulação. Infla-se os egos. É tudo uma grande comídia. Uma tragicomédia rodrigueana. Alguns falam mal dos amigos para ficarem bem aos olhos de editores obscuros, bisonhos e medíocres. Outros fazem o papel de amigos da onça e traem os seus companheiros de ofício para receberem algumas linhas nos pobres cadernos e panfletos do pior tipo de jornalismo marrom e ultrapassado.. Temos jornalistas sérios , é claro, a esses eu tenho o maior respeito. Pena que são poucos e quase sempre são alijados das panelinhas dos cadernos culturais e das editorias culturais e de opinião, que são dominados por pretensos “illuminattis” da Arte e da Cultura. O que é lamentável é a postura de alguns “jornazistas” deformados, que odeiam os Poetas autênticos e os verdadeiros artistas. Eles inflam os egos dos barnabés da poesia e dos critiqueiros de plantão. Sabe-se de casos de alguns desses “jornali$tas” que pensam que são escritores, que quebraram a cara ao enviar os seus pobres e opacos originais para grandes editoras( como a Companhia das Letras) Bem feito. Comenta-se que um desses é inimigo ferrenho e contumaz dos escritores de Brasília. Tenho compaixão dessas almas pequenas, mesquinhas e despreparadas. Um deles chegou a me dizer que quando eu publicasse por uma grande editora do eixo Rio – São Paulo seria muito bem recebido em seu diário. Imagine só que tamanha desfaçatez….veja o tipo de gente que comanda o jornalismo cultural em Brasília!…hienas e chacais disfarçados de agentes d a cultura e das artes… São mentirosos e preconceituosos que utilizam o seu poder para exercer a discriminação e cassar pensadores e toda uma categoria, com canalhices e deturpações torpes.Será que a mentira continuará a dominar tudo? Até quando? Uma verdadeira fraude nos bastidores midiáticos…Que Machado de Assis e Guimarães Rosa tenha pena dessas almas torpes e mesquinhas.
Giselle – Você acha que os escritores brasilienses são discriminados?
GD – E como ! Todo mundo comenta sobre isso nos outros estados e cidades. A grande maioria, sim. E como são discriminados. Vivemos um apartheid cultural, imposto pelas editoras, pela mídia e pelas livrarias. Tancredo Neves sempre dizia que Brasília era uma cidade cassada. Alguns “escrevinhadores” e critiqueiros, lite-Ratos sem ética e de má formação moral se vendem por qualquer preço e criticam e falam mal dos colegas, para terem o seu espaço em cadernos pusilânimes e obscuros. Temos “Judas” e traidores em todas as profissões, que se vendem por um punhado de dólares ou de reais.. São autores pernósticos que vendem até a mãe no afã de aparecerem a qu alquer custo. Eu não coaduno com esse tipo de postura. Prefiro ficar longe dessas figuras mesquinhas, que geralmente são subliteratos, que precisam a todo custo de espaço na mídia para terem seus 5 minutos de fama e depois vão para a lama e para a lata de lixo d a História..
São autores de pé de barro, que logo na primeira ventania espatifam-se e chafurdam-se no lamaçal da midiocridade..
Giselle – Quais os projetos do Sindicato ou das Academias de Letras locais para a comunidade?
GD – Só posso responder pelo Sindescritores. Realizamos alguns projetos: Lançamentos de livros em lugares diversos; Saraus e recitais poéticos Palestras em escolas, bibliotecas e faculdades O Informativo Escriba O Escriba Virtual na Internet Apoio ao Portal Usina de Letras( de 1999 a 2003)
Três sites literários na Internet e divulgação em grupos da Web..
Estante do Escritor Brasiliense
Café Literário
Noite de Poesia e recitais poéticos em bares, cafés, restaurantes, residências e espaços culturais.
Encontro com a palavra
Fórum Literário
Apoio a edições pelo FAC
Participação em eventos culturais
Participação na seleção de concursos literários e de redação
Apoio e orientação dos autores em relação aos Direitos Autorais.
Participação em Feiras e Bienais.
Palestras e encontros em locais diversos
Outras atividades
Obs: tudo feito com recursos próprios e com apoio dos filiados.
Giselle – Como os escritores de Brasília buscam apoio e divulgam o trabalho?
GD – A nossa divulgação hoje é basicamente pela Internet e com o apoio dos próprios autores. Nossos autores não tem espaço. Não saem nem nos roteiros.. É raro um autor brasiliense na mídia.( a não ser os mesmos, os amigos dos editores)
A não ser aqueles de sempre. Os oficiais, da cozinha das redações. Esses sempre estão falando mal dos colegas e da literatura brasiliense. Não se assumem como escritores de Brasília. Deveriam ir morar em outras cercanias.
Chega a ser vergonhoso o grau de compadrismo e camaradagem entre certos escritores, repórteres e editores. Seria cômico, se não fosse trágico. Ninguém suporta mais esse tipo de jornalismo. “medíocre e bi$onho”, imposto aos brasilienses por meia dúzia de “jornalistas roqueiros”. Totalmente aéticos, provincianos e caquéticos Eles não enganam a mais ninguém. Todos já perceberam a sacanagem deliberada. A Santa Inquisição já deveria ter acabado a muito tempo. Essas figuras medievais, são fantasmas em plena idade mídia.
Basta!
É preciso que se mostre todas as opiniões, todas as faces. Não ao jornalismo fundamentalista e sectário. Será que é só o rock que é bom? será? Qual o interesse deles em ocultar os escritores de Brasília?
É o mesmo interesse daqueles que sempre combateram Brasília. Eles não tiram a cabeça da praia. Viva o Grande Sertão:Veredas das Águas Emendadas e os Sertões do Planalto Central. Cria-se aqui o Movimento dos Sem-Divulgação, dos Escritores Excluídos.
Giselle – Quais os tipos de trabalhos mais publicados? (livros de ficção, infantil, poesia…)
GD – Os mais publicados são os livros infantis, infanto-juvenis, didáticos e de poesia. Publica-se também muitos livros de ensaio, principalmente na UnB e nas faculdades.
Giselle – Você acredita que todos os escritores de Brasília são bons?
GD – Claro que não. Temos alguns bons escritores e também maus escritores. Como em todas as profissões. Temos bons e maus jornalistas, médicos, professores, advogados. Agora, quem deve julgar o escritor, é o publico – leitor. Não cabe a mim julgar quem são os bons e os maus. Tudo é relativo. Depende da ótica de quem julga de quem lê. Depende do prisma do observador.
Giselle – Há quanto tempo foi criado o Sindicato? Por quê?
GD – Para defender os escritores da censura e esclarecê-los sobre os seus direitos e sobre direitos autorais. Para combater as discriminações de todos os tipos, pricipalmente os literários e econômicos..
O Sindicato dos Escritores surgiu de um grupo de combativos escritores e jornalistas, a partir da Associação Profissional de Escritores do Distrito Federal , em 1977(tendo a frente AllanViggiano e mais 47 autores). Destacamos entre esses líderes, Pompeu de Souza, que foi um dos fundadores e presidente do Sindescritores. O país vivia uma época de arbítrio de de ditadura e os escritores lutaram com unhas e dentes contra a censura ao pensamento e aos meios de comunicação e havia a necessidade de se organizarem e lutarem por liberdades democráticas, conquistadas a partir da Anistia e das Eleições Diretas. Os escritores sempre estiveram presentes nas principais lutas pela liberdade no Brasil.
Giselle – Que escritores brasilienses têm trabalhos divulgados no exterior e quantos são estudados também?
GD – O nosso site foi selecionado e destacado pela Unesco como uma das boas referências em Literatura, é tanto que consta do Diretório. Temos alguns autores premiados no exterior e com trabalhos em universidades e publicações estrangeiras. Muitos tem publicado na Internet, em coletâneas, grupos e antologias. Só para citar alguns nomes, rapidamente: Cassiano Nunes, Anderson Braga Horta, Ronaldo Fernandes, Joanyr de Oliveira, GD, Maria Félix, Olívia Rautter, Josélia Costandrade, José de Santiago Naud, Cristovam Buarque, Antônio Carlos Osório, Menezes y Morais, Oswaldino Marques, José Maria Leitão, Lourenço Cazarré, Guido Heleno, Stella Maris, Alan Viggiano, José Sarney, Marcos Vilaça, entre muitos outros. Ronaldo Fernandes e Otávio Afonso ganharam o Prêmio Casa das Américas, em Cuba.
Giselle – O Sindicato tentou aprovar na Câmara uma lei que obriga o sistema de ensino adotar livros dos escritores brasilienses. Por que não conseguiu? Que deputado apoiou o Sindicato?
GD – O Sindicato nunca obrigou ninguém a nada. Todos apoiaram o projeto, por livre e espontânea vontade.. Foram os deputados que sabiamente aprovaram um dispositivo no início da Câmara Legislativa(1991/1992). Artigo 235 Parágrafo 2. O projeto foi apresentado pela então deputada Rose Miranda e aprovado por unanimidade da casa. Falta a regulamentação pelo poder executivo, em ato do governador. As literaturas locais são estudadas em vários estados e lá as pessoas têm orgulho de seus escritores. Creio que quando tivermos jornalistas brasilienses mais autênticos e menos preconceituosos, haverá uma valorização maior dos bons escritores do Distrito Federal. Infelizmente, a grande maioria dos jornalistas culturais são despreparados e provincianos. Com as devidas exceções. Muitos deles são ligados à Indústria Cultural do eixo Rio – São Paulo e subservientes à subcultura do Rock , dos enlatados, do besteirol , da moda e da cultura de massa de baixa qualidade. Não temos cadernos de cultura de bom nível e só se reproduz o que é divulgado pela Indústria do Livro, da TV e dos grandes jornais. O que é uma pena. Na imprensa de Brasília, ainda não se realiza um jornalismo sério e investigativo, no que se refere ao meio cultural local. Cito um caso exemplar. Renato Russo e o Legião Urbana só conseguiram melhores espaços na mídia local, quando apareceram na Folha de São Paulo, nos grandes jornais de fora e na Rede Globo. Aí as portas se escancararam em Brasília.É tanto que ele no auge do sucesso fez severas críticas à postura de determinadas pessoas e figurinhas da mídia local da época..
Giselle – Quais as grandes editoras em que escritores brasilienses conseguiram publicar livros?
GD – Que eu saiba muito poucas. Casos muito raros. Brasília não possui grandes editoras. Já vi livros de alguns escritores radicados aqui, na Record, na Ática, na Geração Editorial, na Editora da UnB, entre outras e por aí vai. Brasília precisa urgente de boas editoras, mesmo que sejam pequenas, e também de distribuidoras eficientes.As pretensas editoras são meras gráficas que imprimem o livro… Não distribuem praticamente nada vezes nada. Por aqui se tem excelentes gráficas impressoras. As editoras, se existirem eu as desconheço… Gostaria de ver algum contato editorial assinado por algum desses editores…será que eles existem?
Giselle – Você acha que a literatura brasiliense tem qualidade?
GD – Em parte, sim. Temos excelentes autores. Respiramos o mesmo ar do Rio , de São Paulo, da Bahia, de Minas, do Rio Grande do Sul. O que falta em Brasília é um mercado editorial sério, marketing editorial, livrarias que divulguem os autores locais, boas distribuidoras e editoras de verdade. Temos centenas de gráficas, que “graficam” os autores e não lhes dão o mínimo suporte e divulgação…É preciso fomentar a literatura por meio de concursos, prêmios, bolsas literárias, palestras, debates, encontros. Temos 256 escritores premiados e bons autores ainda inéditos ou com publicações pessoais. Urge divulgação de qualidade.
Giselle – Há favorecimento para alguns escritores?
GD – Creio que sim. Principalmente nesses jornais bizarros que se locupletam de publicidade estatal. Todos vêem isso. Os amigos dos editores sempre têm as suas páginas, colunas e bons espaços para divulgação. Temos casos de alguns que se derem um “pum” viram notícia. Algumas figuras folclóricas. Ícones da subserviência. Muitos subliteratos e eivados de literatice.. Como são amigos dos editores, todos falam bem. Ai de quem falar mal. Nos últimos anos, de 1995 até os dias de hoje, só aparecem os escritores bem comportados. Quem tem uma postura crítica, entra para o Índex e torna-se maldito, como é o meu caso. Não consegue espaço aquele autor que é mais combativo ou crítico em relação à mídia. Prefiro não ser divulgado a trair os meus princípios e a minha ética. Não vou fazer conluios e cabalar espaço para satisfazer egos doentios. Infelizmente, alguns se submetem ao ridículo para se manterm no noticiário e serem elogiados por jornalistas que nada entendem de literatura. Prefiro o anonimato, do que me submeter à mentira e à bajulção. Não faz parte da minha personalidade. Prefiro ser o que sou. Estou satisfeito com a minha consciência e sou um eterno insatisfeito contra as pilantropias lítero-jornalísticas que rolam por aí por baixo dos panos…
Giselle – Escritor brasiliense é apenas o nascido no DF?
GD – Não. Pela própria característica da cidade, de apenas 43 anos, seria impossível uma geração só de escritores brasilienses natos. A grande maioria ainda provém de outros estados. Muitos são pioneiros. Creio muito no futuro da Literatura Brasileinse. Será cada vez melhor, se formarmos bemr os nossos jovens. Em vez de só games e guitarras,… livros… livros…livros… mesmo que sejam virtu@is. Educação e cultura de qualidade é o melhor remédio contra a ignorância.
Giselle – O que você acha que deve melhorar para melhor divulgação do trabalho dos nossos escritores?
GD – Tudo deve melhorar. Mais bibliotecas públicas. Criação do Instituto do Livro do DF. Cooperativas editoriais Jornais independentes, blogs, zines. Revistas e suplementos literários de bom nível. Aperfeiçoamento da Bolsa de Produção Literária, que foi uma luta do Sindescritores e também minha, enquanto Assessor de Literatura. Melhor formação dos jornalistas que lidam com a cultura. Que leiam mais e que evitem críticas antes de conhecerem o trabalho de alguém. Evitem o disse-me-disse e o preconceito, o nhémnhémnhém que leva(m) à discriminação, ao detrimento e à ocultação de bons autores. Parem de cometer injustiças e mentiras conta os autores daqui. Não compreendo tanto ódio. Deveria ser o contrário. O que está por trás das atitudes desses profissionais? o que realmente acontece nos bastidores das redações e editoras? Os autores devem melhorar sempre.Leitura é fundamental. Muita informação e muita transpiração literária são essenciais. A mídia deve ser mais regional (sem deixar de ser universal), aberta, democrática e qualitativa.
É preciso que se estabeleça boas editoras, livrarias e distribuidoras no DF. Temos aqui um excelente índice de leitura e alto poder aquisitivo. Deve-se retomar os suplementos literários, democratizar os jornais, as rádios e tvs. Menos indução ao crime e à midiocridade e mais incentivo à leitura, inclusive com suporte ao estudo e leitura dos clássicos de todos os tempos e dos livros do folclore e do imaginário popular. Torna-se necessário que surjam jornalistas, pesquisadores e investigadores de bom nível, como você e outros que com certeza aguardam uma oportunidade para demonstrar as suas habilidades e talentos.
Viva Brasília e a Literatura Brasileira…

=========================================

Em breve, aqui, mais histórias e nomes.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s