Bem-sucedido o Sarau/ Lítero/Musical do Sindescritores na Embaixada da Bolívia

Comunicado Geral 13/2019

Na noite da segunda-feira (26/08), o Sindescritores realizou o marcante Sarau/ Lítero/Musical do Sindescritores na Embaixada da Bolívia.

A diretora de eventos, Meireluce Fernandes, foi a responsável por todas as tratativas que resultaram nesse evento exitoso,  que recebeu poetas, escritores e autoridades (embaixador de Cuba, embaixadora da Nicarágua, entre outros), além de jornalistas.

“Após a solenidade, durante o coquetel, o embaixador da Bolívia, José Kinn Franco, e a embaixatriz, Gilda Franco, relataram-me: ‘Estamos muito felizes, o público que veio ao sarau foi maravilhoso. O Sindescritores está de parabéns!”, revelou o vice-presidente da entidade, Gilbson Alencar.

Escritoras sindicalizados como Basilina Pereira e Kori Bolívia declamaram belos poemas. Meireluce Fernandes entregou uma homenagem à embaixatriz da Bolívia,  Gilda Franco. Além de tudo, o coral Alegria e o grupo de danças típicas bolivianas, trouxeram ainda mais alegria àquela noite festiva em que a literatura deu o tom.

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COLUNA “A VIDA COM POESIA É MELHOR”

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*Basilina Pereira

DESENCONTRO

A palavra miúda tem mais poder.

Ela concentra, sintetiza,

encerra o que há de mais puro na verdade

e quando a boca se abre para o pouso do beija-flor,

ela, que também emite o menor som da terra,

reflete a solidão da hora

em que o amor se abriu para a vida

e a resposta ficou vagando no ar.

O PESO DOS DIAS

Difícil medir o peso dos dias

encharcado na carapaça dos ombros.

O lado da frente é mais frágil,

isso se evidencia na curvatura silenciosa

que o tempo vai cavando na travessia das lembranças

embaladas em papel fumaça.

As batidas do coração marcam o compasso

em que os seixos vão se amoldando

ao teto de cada sentimento desarmado.

Entre um passo e outro, o afã

de manter a armadura nos limites

da esperança que, mesmo cega, alumia.

a noite incerta até o amanhecer.

ESTREIA

Aportamos sem bússola,

sem passos e nenhuma garantia.

Na bagagem, um choro amador

de quem não sabe, mas pressente

os espinhos, a chuva

e a longa noite de carências.

Até as palavras se negam no momento primeiro,

tornando as urgências uma flor sem haste,

um poema que caiu no palco

assim: no tropeço e precisa encontrar a rima

que reveste o sentido da vida.

QUANDO BRILHA O MOMENTO

A poesia é minha música,

aquela que faz a alma vibrar

no ritmo da melodia das folhas,

que se enfeitam para o beijo do sol.

A poesia é a pintura que não fazer,

mas da exuberância das cores e da leveza das formas

retiro metáforas que envolvem o arco-íris

e embalam o crepúsculo com a suavidade de um colo de mãe.

Por vezes, ouso esculpir a poesia.

Lapido a matéria bruta

com o que tenho de mais sutil e profundo,

buscando capturar nas profundezas da alma

aquele raio de liberdade

que sobrevive entre o grito e o silêncio.

Depois, emolduro o poema.

Nem sempre a rima se faz visível,

mas no interior do verso se há de encontrar

aquele o eco fortuito que reveste a palavra

e faz o momento brilhar.

A CENA

O teu nome mergulhado na saudade,

sem porto nem bússola.

Um tempo em que teus olhos amanheciam dentro dos meus

e tuas mãos desenhavam sóis em minha pele.

Tuas palavras ainda reverberam em minha alma,

qual fossem notas de uma canção-sorriso

tecida com as chamas da paixão.

Sim, a cena ainda resiste na memória,

pois o tempo, sábio que é,

conserva ileso o que um dia foi eternidade.

 

*Basilina Pereira é mineira, mas reside em Brasília desde 1983. É professora aposentada, advogada e poeta. Tem 3 filhas e 4 netos. Já participou de 34 antologias e publicou 8 livros, sendo 6 de poesia e 1 romance e um de contos. Faz parte de 7 Academias, inclusive é imortal da Academia de Letras do Brasil/DF, cadeira nº 15 e já foi agraciada com vários prêmios: nacionais e internacionais.

Comunicado Geral 34/2016-Lançamento da Antologia Internacional Bilíngue SEM FRONTEIRAS PELO MUNDO

Lançamento

Brasília,  14 de abril de 2016

Assunto:  -Lançamento da Antologia Internacional Bilíngue  SEM FRONTEIRAS  PELO MUNDO – domingo – 17 de abirl de 2016

Será lançada neste domingo (17/04),   a partir das 19h, no Carpe Diem Restaurante (104 Sul), a Antologia Internacional Bilíngue  SEM FRONTEIRAS  PELO MUNDO, que conta com textos das sindicalizadas Basilina Pereira, Paola Rhoden e Dinorá Couto Cançado. A responsável pela antologia, a jornalista Dyandreia Portugal, estará presente para festejar com os que por lá aparecerem.

Estamos a trabalhar.

MARCOS LINHARES

PRESIDENTE
Sindicato dos Escritores do Distrito Federal
Tels.:  55 (61) 3031-6524 | 8405-8290
sindicatoescritoresdf@gmail.com
SCN Quadra 02 Bloco D Loja 310
1º Pavimento Shopping Liberty Mall – Asa Norte
CEP: 70712-904 – Brasília – DF

COLUNA “A VIDA COM POESIA É MELHOR”

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APARAS DE SONHO

O sonho passou feito um cometa.
No seu rastro, a limalha de alguns momentos
que se recusam a virar pó,
para ser espalhado na distância.
Inútil tentar esvaziar a memória,
ela insiste em ser manhã sem alvorada
e sobrevive, mesmo em vórtice de espadas.

ÚLTIMO DESEJO

Um último desejo:
pescar palavras
nos gestos, no olhar das pessoas,
nos silêncios.
Se elas morderem a isca
é porque foram iludidas em sua certeza,
mas se fugirem para o seu universo sem bordas
resta a poesia que está no vento, no sorriso,
em cada passo que se afasta do fel
e se aproxima do amor.

PRESSENTIMENTO

O poeta vai mesclando o que não vê,
mas pressente. Sente.
A palavra, entre os escombros,
desvia de sua rota, atrás da luz
que é incerta, opaca.
Quer abraçar a poema que engenha, inseguro,
e dispõe sobre a brancura do papel,
mas o verso é duro, esquivo;
nele não cabem os sonhos
que um dia viu desenhado no rosto da menina.
Pela porta aberta, uma réstia de ar sussurra:
tenta a face da alegria, pode ser que ela atraia a poesia.

POEMA MATINAL

Assim: do nada,
o silêncio vai assoprando
as imagens que brotam da lembrança.
O pensamento corre tão célere que, a custo,
as palavras encontram a roupagem que vestem.
No compasso das horas, a manhã sonolenta
vai descobrindo cores risonhas,
cuidando para que tons acres
não se sobreponham à curva do sorriso.
A película entre um minuto e outro é a medida certa:
ao olhar duas vezes para o mesmo ponto,
a luz se mostra com mais clareza.

MEMÓRIA

Porque o tempo guarda a memória de seus arbustos?
Pisei, passei.
O vento cobriu as pegadas e sibilou,
rareou o contorno das luzes e o verso parou.
não havia bocas para serem beijadas
nem olhos para o pastoreio.

Só o cabelo ainda preso pelas lembranças dos barcos
que partiram e sua luz refletida nos espelho,

como a lua, fingindo ser prata.

Na janela da tarde, o escuro.
Palavras secretas vagam incompletas, à procura do tempo

Vazio.

É certo que terei os pingos da chuva
que caíram dos meus olhos:
colheita farta dos dias de solidão.

Basilina Pereira é mineira, mas reside em Brasília desde 1983. É professora aposentada, advogada e poeta. Tem 3 filhas e 4 netos. Já participou de 34 antologias e publicou 8 livros, sendo 6 de poesia e 1 romance e um de contos. Faz parte de 7 Academias, inclusive é imortal da Academia de Letras do Brasil/DF, cadeira nº 15 e já foi agraciada com vários prêmios: nacionais e internacionais.

 

ESTREIA DA COLUNA “A vida com poesia é melhor”

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Hoje, estreia a Coluna “A  vida com poesia é melhor”  de nossa sindicalizada Basilina Pereira  (matricula 85). A periodicidade será semanal.

Basilina Pereira é mineira, mas reside em Brasília desde 1983. É professora aposentada, advogada e poeta. Tem 3 filhas e 4 netos. Já participou de 34 antologias e publicou 8 livros, sendo 6 de poesia e 1 romance e um de contos. Faz parte de 7 Academias, inclusive é imortal da Academia de Letras do Brasil/DF, cadeira nº 15 e já foi agraciada com vários prêmios: nacionais e internacionais.

O ABRAÇO

Trave o momento.

Ele é um só,

é único.

Tranque com trinco, com tranca,

prolongue o abraço ao máximo

e guarde essa emoção,

ela poderá não voltar.

 

POEMETO SEM LUZ

Hoje é só mais um dia

em que encontrei a rosa fechada,

o sol apagado,

a lua de ressaca,

e o meu poema pelo avesso.

 

FAGULHA

Não sei por que me ocorre

lembrar, de repente,

de um olhar tão forte

que cruzou meu caminho.

Fagulha na força do silêncio.

Um abismo ali se fez

e nenhuma palavra caberia

naquele momento.

Nem agora, na lembrança.

 

PALAVRA (QUE)BRADA

Ás vezes é quase nada

só uma noção de sentido,

um sentimento doído

de uma frase mal falada

envolta e jogada ao vento

folhas de verdes dormentes

que com o vigor da semente

dilacera o sentimento.

Relâmpago na madrugada

risca o olhar e queima a pele

palavra (que)brada fere

se não for dimensionada,

é mais que vela partida

tem luz própria, feito brasa,

queima o sonho e dobra a asa,

devora com letra a vida.

PASTORA

Sou pastora da poesia

cavalgo versos de anis

se rimo a noite com o dia

não sei bem por que o fiz.

Mas não consigo outras plagas,

outra forma de rimar,

se solto a letra e as mágoas

esse é meu jeito de amar.

E assim caminho entre as linhas

do poema inacabado

catando dores tão minhas

vislumbrando o outro lado

onde o soneto não dorme

sobre um poema concreto

e a práxis vige conforme

seu próprio corpo e contexto.

Sou pastora da poesia

sob a chuva ou sob o sol

e as palavras, quem diria!

São a isca em meu anzol.

 

Basilina Pereira