Bem-sucedida reunião inicial para trabalhar a literatura brasiliense nas escolas

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Comunicado Geral 36/2017  – 25 de setembro de 2017

Assunto: Bem-sucedida a reunião realizada na tarde do sábado (23/9), na sede do Sindescritores para  colaborar na regulamentação da literatura brasiliense nas escolas.

Além do presidente e da vice do Sindescritores/DF, Marcos Linhares e Vânia Gomes, também compareceram os sindicalizados Verônica Vicenza, Lindoberto Ribeiro, Judivan  Vieira e Cleomar Campos.

Já foram feitos encaminhamentos ao Sinpro/DF, foi criado um Grupo de Trabalho e acertados pontos importantes dessa jornada. A próxima reunião ficou agendada para o sábado, 07 de outubro, novamente na sede do Sindicato, às 14h. Todos estão convidados a se engajarem nessa atividade tão importante.

 

Estamos a trabalhar.

MARCOS LINHARES
PRESIDENTE
Sindicato dos Escritores do Distrito Federal
Tels.:  55 (61) 3031-6524 | 8405-8290
sindicatoescritoresdf@gmail.com
SCN Quadra 02 Bloco D Loja 310
1º Pavimento Shopping Liberty Mall – Asa Norte
CEP: 70712-904 – Brasília – DF

 

 

 

 

 

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COMUNICADO GERAL 9/2017 – A literatura brasiliense está em alta na semana do Dia da Mulher

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A literatura brasiliense está em alta na semana do Dia da Mulher
Evento na livraria Leitura valoriza escritoras locais

COMUNICADO GERAL 9/2017

Brasília, 8 de março de 2017

Assunto: A literatura brasiliense está em alta na semana do Dia da Mulher

Evento na livraria Leitura valoriza escritoras locais

A literatura brasiliense está em alta na semana do Dia da Mulher

Eventos na livraria Leitura valorizam escritoras locais

No Dia Internacional da Mulher, 08 de março, e no sábado (11), algumas escritoras brasilienses, de segmentos literários diversos, participam de bate-papos na Livraria Leitura do Conjunto Nacional, representando o Sindicato dos Escritores do Distrito Federal. Na quarta (8/3), o evento será realizado às 18h30, sendo aberto e gratuito.

Temas como violência contra a mulher, negritude e gênero, o papel da mulher na política dentro da literatura, romance, “chicklit” com foco na mulher contemporânea e a linguagem moderna serão alguns dos temas do debate. As cinco autoras que participaram de uma seleção do Sindescritores-DF: Cristiane Sobral, Elaine Elesbão, Fabiana Gomes, Patrícia Baikal e Vânia Gomes trazem temas que são correntemente abordados na literatura brasiliense.O evento será mediado pela escritora e jornalista, Beatriz Leal, sindicalizada e finalista em 2016, na categoria Romance, do prêmio Jabuti com o livro “mulheres que mordem”.

“Acredito que a melhor forma de valorizar as mulheres é dar voz a elas e a literatura, com certeza, é um dos caminhos mais bonitos e de poder transformador”, afirmou o presidente do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal, Marcos Linhares.

Sábado com Literatura infantil

No sábado(11/3), às 16h30, será a vez de autoras de Brasília falarem sobre as personagens femininas na literatura infantil e juvenil, com cinco autoras: Verônica Vincenza, Marina Oliveira, Lair Franca, Marisa Carla Queiroz Alves da Cunha e Luciane Melo. O bate papo será seguido de sessão coletiva de autógrafos.

Gôndola

Até domingo (12/3), ficará montada uma gôndola com livros de escritoras de Brasília:  Verônica Vincenza, Onã Silva, Marina Oliveira, Patrícia Baikal, Lair Franca, Fabiana Carvalho, Cristiane Sobral, Dinora Couto Cançado, Vânia Gomes, Luciane Melo, Elaine Elesbão, Marisa Carla Queiroz Alves da Cunha e Verônica Saiki.

Estamos a trabalhar.

Saudações literárias do,

MARCOS LINHARES
PRESIDENTE
Sindicato dos Escritores do Distrito Federal
Tels.:  55 (61) 3031-6524 | 8405-8290
sindicatoescritoresdf@gmail.com
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1º Pavimento Shopping Liberty Mall – Asa Norte
CEP: 70712-904 – Brasília – DF

Comunicado Geral 46/ 2016 -Sindescritores estará na III Bienal Brasil do Livro e da Leitura

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Brasília,  17 de outubro  de 2016

Assunto: Sindescritores estará na III Bienal Brasil do Livro e da Leitura

Graças ao empenho de nossa Vice Presidente, Vânia Gomes, na última sexta-feira (14), tivemos a confirmação de um estande para o Sindescritores-DF na III Bienal Brasil do Livro e da Leitura, a realizar-se entre os dias 21 a 30 de outubro de 2016. O estande mede aproximadamente 12 m2 e contará com algumas prateleiras, um balcão e uma banqueta.

Os membros do nosso Sindicato em dia com a anuidade poderão expor os seus livros, mediante pagamento de taxa de R$ 50,00, com limite máximo de 10 exemplares/título. Esta taxa é importante, porque garantirá a permanência de um(a) vendedor(a) no estande durante os dias da Bienal.

Em nosso estande, poderemos promover algumas atividades, como contação de histórias e sessões de autógrafos. Estas poderão ser marcadas durante o evento. Já a contação de histórias requer inscrição prévia. As datas previstas para contação de histórias serão aos sábados à tarde (15h às 16h) e aos domingos pela manhã (10h às 11h) e à tarde (15h às 16h). Escritor de literatura infantil, favor manifestar seu interesse na atividade de contação de histórias pelo e-mail sindescritoresdf@gmail.com.

Aproveitamos para agradecer aos organizadores da III Bienal Brasil do Livro e da Leitura pela cessão do espaço, especialmente aos Srs. Nilson Rodrigues e Henrique Cabral.

Estamos a trabalhar.

MARCOS LINHARES

PRESIDENTE
Sindicato dos Escritores do Distrito Federal
Tels.:  55 (61) 3031-6524 | 8405-8290
sindicatoescritoresdf@gmail.com
SCN Quadra 02 Bloco D Loja 310
1º Pavimento Shopping Liberty Mall – Asa Norte
CEP: 70712-904 – Brasília – DF

O catolicismo vai à bancarrota – COLUNA CATARSES CRÔNICAS

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*Vânia Gomes

Sou católica meia boca. Uma vergonha, na verdade, pois já fui — em outra vida, claro — uma pessoa bem envolvida na comunidade. Hoje em dia, vou à missa só de vez em quando, e nem sempre é na Páscoa. Mas quando vou, participo e fico atenta a tudo.

Há algum tempo, por exemplo, fui à missa e foi surpreendente ver, na procissão de entrada, um sacerdote baixinho com solidéu vermelho. Pensei: é um cardeal, mas de onde? Limito-me a dizer, nesta crônica, que não era o cardeal de Brasília.

Antes de a missa começar, anunciaram as intenções: celebração de sétimo dia de falecimento de três pessoas, uns dois aniversários e um aniversário especial, 59 anos de casamento.

O que eu esperava na homilia? O óbvio, o que qualquer pessoa normal esperaria: além de uma breve reflexão do Evangelho e de uma brevíssima menção com palavras reconfortantes aos parentes e amigos que perderam seus entes queridos, uma exaltação aos 59 anos de vida em comum dos velhinhos. Esperava uma ode à família, a uma vida de lutas, de amor, de cumplicidade, de entrega. E qual não foi minha decepção quando o tal cardeal dedicou 99% de seu sermão a enaltecer um dos falecidos, que foi pessoa atuante na comunidade e, muito provavelmente, um tremendo puxa-saco. Desculpem, nem conheço o tal senhor (Deus o tenha!), mas é incrível que o cardeal não tenha feito uma única e singela menção às bodas de cereja de duas pessoas que estavam presentes (vivas!) com seus descendentes. Um absurdo!

Atualmente, é muito difícil um casal alcançar essa marca. Primeiro, porque hoje em dia as pessoas não se casam tão jovens. E segundo, porque muitos casamentos não duram nem dez anos, que dirá bodas de prata, ouro, diamante. Os números não mentem, aliás, corroboram essa segunda premissa. Segundo o IBGE, o número de divórcios aumentou 161,4% entre 2004 e 2014. Em Brasília, a coisa é ainda pior: o DF apresentou a maior incidência de divórcios em 2014. A média de duração dos casamentos não passa de 15 anos.

E então um casal alcança 59 anos de vida em comum e um cardeal (entendam: é um cara que pode ser eleito papa!) não dá o devido valor ao fato. Conclusão óbvia: a igreja católica, definitivamente, está tão ensimesmada, tão despreparada, que seu destino parece ser a bancarrota. O catolicismo está ruindo. E depois não entende por que está perdendo fiéis. Já respondo: por pura incompetência.

Em que pese a simpatia, o preparo e o carisma do Papa Francisco, só 61% dos brasileiros se declarou católico em 2014. Mas Francisco sozinho não consegue conter a debandada, mesmo porque alguns de seus irmãos e subordinados (cardeais, bispos e padres) fazem um servicinho de meia tigela. Pura incompetência. Aliás, quão fiéis eram os “fiéis”?  Quando católicos, acreditavam em Nossa Senhora, em santos e anjos. Viraram protestantes e passaram a abominar suas antigas crenças. Não conheciam Jesus antes, é isso?

Questiono a fé, a minha e a de todo mundo. Mesmo sendo católica meia boca, reconheço em Nossa Senhora a grande mulher que aceitou a difícil missão proposta por seu Deus. Reconheço nos santos pessoas comuns que fizeram a diferença para outras pessoas, para a fé, para a própria igreja; são verdadeiros exemplos de vida cristã. Se um dia essa minha fé mudar, será para nada: virarei ateia. Isso, porque quero muito mais que promessas: quero exemplos de vida verdadeiramente cristã, de amor ao próximo, de entrega. Não acho que Deus ou Jesus vai se ocupar com meus desejos materiais, não quero isso. Há muita doença, muita tristeza, muita fome, muita guerra, muita dor, muita desgraça a que devem ser dedicadas a misericórdia, o perdão e o amor de Cristo. Meus problemas são nada perto dos que massacram a humanidade.

Mas as “lideranças” católicas parecem cegas, incapazes de olhar para dentro de si, enquanto corpo eclesial. E requentam seus próprios feitos e rituais, se perdem na entropia comunitária e não enxergam além das paredes do templo. O exemplo mais claro foi o tal cardeal, que ocupou uns vinte minutos com o senhor falecido dedicado à comunidade; vinte segundos com os parentes e amigos dos outros dois falecidos; e outros vinte segundos com os aniversariantes. Não dedicou um milésimo de segundo ao casal das bodas de cereja.

Por que fui à missa? Fui rezar por uma amiga querida que nos deixou prematuramente; as músicas da celebração eucarística foram emocionantes; o evangelho era sobre exorcismo. Tanto material para explorar, mas o cardeal foi decepcionante. Sou uma católica decepcionante também, mas uma decepção dessas me afasta mais da igreja, da comunidade.

Vivemos uma era materialista, superficial. A igreja católica é feita de homens e, como uma pessoa do meu tempo, foi muita ingenuidade minha esperar algo mais da homilia feita por um homem comum. Ai de mim! Ai da Igreja!

Não sou ninguém, mas mesmo assim perdoo o cardeal. E tenho pena do povo, que, perdido no meio de tantas crenças, está mesmo é desamparado espiritualmente, à mercê de aproveitadores. Triste realidade.

*Vânia Gomes é mineira de Belo Horizonte e vive em Brasília desde 2001, quando se apaixonou definitivamente pela cidade. Aventura-se na escrita de contos, poemas e crônicas e é autora do livro “Histórias do Vaticano e Outros Contos”. Para conhecer mais sobre a escritora, acessehttp://www.vaniagomes.com.br. E-mail- vania@vaniagomes.com.br

 

 

 

Vanitas vanitatum et omnia vanitas – COLUNA CATARSES CRÔNICAS

Vânia_perfil

*Vânia Gomes

Vanitas vanitatum et omnia vanitas

“Vaidade das vaidades, tudo vaidade”, já dizia o Rei Salomão no Eclesiastes, muitos séculos antes de Cristo. E nos tempos atuais, vemos que nada mudou. Pior, a vaidade humana vem aumentando vertiginosamente. E podemos dizer que no Brasil a coisa está feia. Ou bonita, já que nosso país ocupa a primeira posição mundial no ranking de cirurgias plásticas estéticas.

Esse posicionamento no ranking é apenas um reflexo do alto nível de vaidade da nossa sociedade, da busca pelo corpo dos sonhos, seguindo padrões estéticos impostos por… por quem mesmo? Nem sabemos.

Creminhos antirrugas é para os fracos. O negócio é entrar na faca, aplicar botox, fazer pequenos retoques.

Em pouco tempo, os valores mudaram diametralmente. Na minha adolescência, por exemplo, a moda era cirurgia estética para redução das mamas; hoje em dia, é colocar enormes próteses de silicone. Nós, brasileiras, que sempre nos orgulhamos de ter o corpo tipo pera, agora estamos fazendo de tudo para ter o corpo tipo ampulheta. E cada vez mais nos deparamos com corpos e caras pouco naturais e, em alguns casos, totalmente artificiais. Ainda assim, tem gente em quem nem o Ivo Pitanguy dá jeito. Tudo bem que pode até ser benéfico para a autoestima, mas a vaidade tem tomado outras proporções: a autoadmiração e o exibicionismo.

Todo mundo quer aparecer, quer ser famosinho. Por que tanta gente posta tudo, absolutamente tudo o que faz na vida nas redes sociais? Por que alguns, que atingem o status de celebridade, têm a intimidade “invadida”? Será que é “invadida” mesmo? Sinceramente, acho muito difícil alguém publicar detalhes de divórcios de “celebridades”, por exemplo, sem ter permissão de uma das partes (ou de ambas), por duas razões: a primeira, porque poderá levar um belo de um processo nas costas; e a segunda, porque eu du-vi-de-o-dó que algum funcionário de fórum vá cometer o erro gravíssimo de levar a público um processo de divórcio. Assim, resta a conclusão óbvia de que é preciso manter-se na mídia a qualquer custo, mesmo sacrificando a privacidade individual e familiar. Triste espetáculo. Vaidade que se tornou o ganha-pão de muita gente.

Voltando à abordagem bíblica, a vaidade, juntamente com a arrogância, é considerada um pecado capital no escopo do “orgulho”. Conversando certa vez com meu marido, ouvi dele:

— Mas eu sou vaidoso de minhas conquistas! Custaram-me muito trabalho e dedicação…

— Ah, mas isso não é vaidade — respondi. — Eu acho que você tem é orgulho delas. Pra mim, vaidade é uma coisa, orgulho é outra.

Ele entendeu meu ponto, e resolvemos pesquisar a respeito para clarear nosso raciocínio. Numa abordagem filosófica, o orgulho é algo positivo, porque resulta de uma identificação própria de coisas ou situações que causam alegria no indivíduo — é real, consistente. A vaidade, ao contrário, é vazia. O vaidoso pensa que é algo que não é; é incapaz de entender seu lugar, seu espaço e seu papel na sociedade. Resumindo, o vaidoso se acha. E essa vaidade de espírito talvez seja pior que a vaidade estética, pois está associada à arrogância de se ver destacado dos demais e por isso ser o grande “guru”, sem ter produzido nada ou conhecimento algum. Ou se acaso produziu, achar-se melhor, mais inteligente e mais capaz do que os outros só por isso.

Ah! Quanta vaidade se vê nos dias atuais! Eu, que tenho certa convivência no meio acadêmico, vejo diariamente vaidades nos mais diversos graus. Tem dia que é difícil não se aborrecer, porque outra característica dos vaidosos é que sentem certo prazer em humilhar quem quer que possa esboçar alguma independência de pensamento, melhor dizendo, um pensamento discordante. Infelizmente, isso é mais comum do que podemos imaginar.

Tudo isso, creio, contribui para o diagnóstico de que nossa sociedade está doente. “Ser ou não ser”, atualmente, não passa de uma pergunta antiga, quiçá um clichê. Alimentar e inflamar o ego, ainda que com falsos elogios, está se tornando a meta a ser alcançada dia após dia. Ter e aparecer é o que interessa, o resto nem é tão necessário — vivemos tempos artificiais e, sobretudo, superficiais. A vaidade, portanto, nada mais é do que o sintoma mais aparente da superficialidade social que estamos inseridos. Chega a dar medo. Estamos sem rumo.

*Vânia Gomes é mineira de Belo Horizonte e vive em Brasília desde 2001, quando se apaixonou definitivamente pela cidade. Aventura-se na escrita de contos, poemas e crônicas e é autora do livro “Histórias do Vaticano e Outros Contos”. Para conhecer mais sobre a escritora, acessehttp://www.vaniagomes.com.br. E-mail- vania@vaniagomes.com.br

 

Coluna Catarses Crônicas – “Life on Mars”

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*Vânia Gomes

Life on Mars

Desde 24 de setembro de 2014, dois países do BRICS estão na órbita de Marte. Além da Rússia, agora foi a vez da Índia chegar ao planeta vermelho. A sonda, batizada de Mangalyaan (que significa Nave de Marte, em hindu), teve um custo bem baixo: US$ 73 milhões. Uns trocados, em comparação aos mais de US$ 2,0 bilhões da sonda Curiosity, da NASA.

O Brasil também tem um Programa Espacial. Não é ruim, mas o fracasso mais recente foi o (não) lançamento do satélite CBERS-3, em dezembro do ano passado, projeto conjunto com a China, outro dos países do BRICS. O CBERS-3 decolou, mas não chegou lá. O foguete chinês responsável pelo lançamento falhou e o equipamento não alcançou velocidade e altura suficientes para orbitar a Terra. Caiu e desintegrou-se na nossa atmosfera.

Mas já temos três satélites em órbita: o CBERS-1, o CBERS-2 e o CBERS-2B. O CBERS-4 foi lançado em dezembro de 2014 e tudo ocorreu conforme o esperado. O projeto total (desenvolvimento, construção e lançamento) foi orçado em cerca de US$ 150 milhões. Parece muito dinheiro, mas não é. As informações (imagens) fornecidas por esses satélites são importantíssimas para diversas áreas, incluindo agricultura, meio ambiente e oceanos, entre outras. Mas, por enquanto, estamos orbitando só em torno de nós mesmos, ainda não chegamos nem na Lua, que dirá a Marte!

E por que sondas em Marte? Finalmente poderemos ter a resposta para a indagação do (já saudoso) David Bowie “Is there life on Mars?” É que a sonda indiana procurará por metano, um gás que pode indicar a existência de vida primitiva no planeta vizinho. E como eu adoro ficção científica e superviajo nas n possibilidades, óbvio que para mim isso tem a ver com a transferência futura de criaturas terrestres para viverem lá, porque, convenhamos, por aqui está cada vez mais difícil. No próximo século, sei não…

Mas o mais legal da notícia da chegada da sonda na órbita de Marte foi a felicidade do primeiro-ministro indiano, que comemorou dizendo, entre outras coisas, que o projeto dessa sonda custara menos do que o filme “Gravidade” (aquele, com a Sandra Bullock e o George Clooney), cujo orçamento foi de US$ 100 milhões. Pegando um gancho na fala do ministro, os espanhóis foram superespirituosos, e fizeram uma lista com as 11 obras espanholas mais caras do que mandar uma nave a Marte. Adorei isso!

Resolvi imitá-los e fiz uma singela listinha brasileira, abordando alguns “investimentos” inesquecíveis. Quem quiser, pode completá-la nos comentários, já que as opções são muitas, ao que parece.

Começo com o Estádio Nacional de Brasília ou Mané Garrincha. Numa cidade que não possui grandes clubes de futebol e muito menos tradição nesse esporte, esse “investimento” já seria caro se custasse uns poucos reais. Mas, nesse caso, foram gastos, nada mais, nada menos, que US$ 830 milhões, o que o coloca na posição de segundo estádio de futebol mais caro do mundo! Perde só para o estádio de Wembley, na Inglaterra. Com essa grana, daria pra mandar mais de 10 sondas indianas a Marte!

Ok, com um estádio decente aqui em Brasília, até eu já fui ver o meu Cruzeiro querido, tão combatido, jamais vencido, vencer o Atlético-PR com mais da metade do time reserva. Além dessas duas equipes, já estiveram jogando aqui na capital federal o Botafogo, o Flamengo, o Fluminense, o São Paulo, o Goiás e o Corinthians, além, claro, da nossa seleção. Ainda assim, não vejo justificativa para tamanha gastança. E o que dizer, por exemplo da Arena Amazonas? É o 19º estádio mais caro do mundo, tendo custado módicos US$ 340 milhões. Vamos ver com o tempo se essa arena se converterá ou não no elefante branco de Manaus.

O próximo item da minha lista é o investimento com que nós, povo da pátria tupiniquim, brindamos nossos magistrados: um auxílio moradia, ainda que tenham imóvel próprio. Bom, vamos fazer as continhas: R$ 4.377,78 por mês para cada juiz; são 12 meses no ano, portanto, anualmente, cada juiz receberá só de “auxílio” à moradia R$ 52.533,36. Como o número de juízes federais é mais ou menos 1.600, nossa continha fecha em R$ 84.053.376,00; agora é só fazer a conversão para dólar e esse “investimento” sairá por apenas US$ 34.790.304,64 (por ano). Sim, bem menos que a sonda indiana, mas para que, mesmo? Para ajudar no “aluguel” de pessoas cujo salário médio gira em torno de R$ 24.000,00, sem as vantagens/ acréscimos da carreira. Aliás, com tanta gente sem teto, com tantos moradores de rua, é até de mau gosto e, porque não dizer, ofensivo que uma classe tão privilegiada receba um “auxílio” moradia. Isso porque ainda não mencionei o auxílio alimentação, que é de R$ 4.900,00! Num país onde parte da população passa fome e a maioria recebe o salário mínimo de R$ 880,00 para morar e alimentar toda a família. Lamentável.

E para fechar minha singela listinha, a obra mais importante: o Porto de Cuba. A gentileza brasileira custou “somente” US$ 682 milhões — nove Mangalyaans. Claro, somos endinheirados, e nosso país não tem problemas como energia, transporte público ou estradas para escoar nossa significativa produção agrícola. Com nossos portos, então, nenhum problema, imaginem! Temos dinheiro de sobra, inflação zerada, nenhum cidadão brasileiro passando fome, escolas públicas de altíssimo nível, hospitais públicos de primeiro mundo e, afinal, Cuba merece. São companheiros de longa data!

Vou ficando por aqui. Se alguém se interessar, como eu disse, pode completar a listinha que iniciei. O último item que escrevi, aliás, me enjoou. Amo meu planeta, e amo mais ainda o meu querido Brasil, mas estou ansiosa para saber como andam as pesquisas no planeta vermelho. É que numa hora dessas dá vontade de pegar o primeiro ônibus, de preferência indiano, e com passagem só de ida pra Marte!

 

 

Vânia Gomes é mineira de Belo Horizonte e vive em Brasília desde 2001, quando se apaixonou definitivamente pela cidade. Aventura-se na escrita de contos, poemas e crônicas e é autora do livro “Histórias do Vaticano e Outros Contos”. Para conhecer mais sobre a escritora, acessehttp://www.vaniagomes.com.br. E-mail- vania@vaniagomes.com.br

Podem me chamar de careta- COLUNA CATARSES CRÔNICAS

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*Vânia Gomes

Tenho andado incomodada com algumas notícias de certos portais da internet. Como cidadã do século passado, mantenho muitos, praticamente todos os valores que eram caros ao século XX. Entre eles, a compostura, e é justamente a falta dela que tem me incomodado.

Meu marido tem uma frase ótima para isso: agora, com a internet, ficamos sabendo de coisas nas quais não temos o menor interesse e que antes dela jamais saberíamos. E é a verdade, claríssima, exibida nas tais notícias onde quase se idolatra a falta de compostura.

Por exemplo, no século XX, mesmo depois do advento da pílula anticoncepcional e da consequente liberdade sexual das mulheres, o número de parceiros sexuais era algo considerado íntimo. Ainda deveria ser, mas uma subcelebridade dessas que sobram por aí revelou certa vez que já esteve na cama com cerca 400 homens. Em que pese parecer um número digno de prostituição, não é este o ponto: a moça pode ir para a cama com quem e com quantos homens ela bem entender. Mas por que e para que anunciar aos quatro ventos algo que, a meu ver, deveria ser íntimo? Qual a vantagem disso? Como cidadã do século passado, só vejo desvantagens.

Reality shows são outra forma da indiscrição e da falta de compostura invadirem nossos olhos, nossos lares, caso acompanhemos. É impossível escapar de tais informações. Ano passado, foi amplamente noticiado que um casal confinado fez sexo sem camisinha. Ok, os sujeitos estão na chuva para se molharem, mas será que não dava para impor algum limite? Ou fazer uma edição menos pornográfica? Claro que sim, mas o que “interessa”, o que vende e ganha pontos no Ibope é justamente a exposição da intimidade.

Outro exemplo: há algum tempo, uma famosa apresentadora de TV sexagenária fez topless, posou para fotos e, claro, postou-as na internet. Não sou contra topless, nem contra sexagenárias estarem com tudo em cima, nem contra tirar fotos de um domingo na piscina, mas, francamente, eu não gostaria de ver minha mãe pagando um micão desses ao postar tais fotos na internet. Alguém gostaria? Será que os filhos dela gostaram? Será que ela não tem um amigo de verdade que possa lhe dizer “menos, querida, menos”?

Elegância e feminilidade, na minha opinião, deveriam nortear o comportamento da mulher. Falo da elegância de modos, da maneira de sentar-se, de se colocar e se comportar em público. A elegância pressupõe sentar-se de maneira adequada, vestir-se decentemente e de acordo com a idade (e não precisa ser careta!), manter certa discrição de sua vida, de suas atividades. A feminilidade pede cuidado com as mãos, os pés, os cabelos. A escolha de roupas, desde a seleção do tecido à modelagem, passando pelo comprimento, são outros itens que contam pontos. Garanto que tais modos chamam a atenção positivamente e, inclusive, ajudam na conquista de empoderamento feminino.

Os exemplos acima, ao contrário, chamam a atenção negativamente. Ou será que a maioria acha a moça dos 400 homens um exemplo de sucesso? Minha Nossa Senhora da Compostura, espero que não tenhamos chegado a esse ponto!

Ainda me recordo de uma ocasião em que, estando no aeroporto de João Pessoa, uma senhora, aparentando ser sexagenária e com um pujante sobrepeso, vestia uma espécie de um collant realmente colado, com alcinhas que pareciam prestes a se arrebentar e uma bermuda igualmente colada. “Amostra grátis do inferno”, comentei com meu marido. E então veio a pergunta: quando foi que senhoras passaram a se achar mocinhas? Eu, que na ocasião, tinha pouco mais de 30 anos, não “ousava” mais cobrir-me daquela maneira, digamos, tão a descoberto. Meus quinze anos já tinham ficado para trás havia muito tempo.

A deterioração dos costumes vem ocorrendo a passos largos. A necessidade de se mostrar e a importância de aparentar em vez de ser estão substituindo valores caros à humanidade, como o respeito, por exemplo. Quem se lembra de uma edição de um reality show em que uma das confinadas, hoje estrela global, não beijava o namorado em frente às câmeras de jeito nenhum? Tinha respeito pelo pai e sabia que ele se aborreceria com sua indiscrição. E pelo que já vi sobre essa moça, posso dizer que ela é a elegância em pessoa, sempre bem vestida e discreta, mas essas suas qualidades nunca são destacadas pela imprensa. Aliás, a imprensa esteve interessada mesmo foi nos porões da separação da moça. A coitada fazendo de tudo para manter a privacidade, ainda mais naquele momento difícil, e a imprensa cavoucando sua vida.

Defendo o direito de cada um ir para a cama com quem bem entender, de amar seu corpo e fotografá-lo da maneira que lhe aprouver, mas defendo também a discrição, as boas maneiras, a boa educação, a compostura, o comportamento elegante. Não precisa anunciar ao mundo que você dá pra caramba, nem que ama seu corpão sexagenário que certamente custou caro.

Se isso é ser careta, podem me chamar de careta, sou mesmo!

Vânia Gomes é mineira de Belo Horizonte e vive em Brasília desde 2001, quando se apaixonou definitivamente pela cidade. Aventura-se na escrita de contos, poemas e crônicas e é autora do livro “Histórias do Vaticano e Outros Contos”. Para conhecer mais sobre a escritora, acessehttp://www.vaniagomes.com.br. E-mail- vania@vaniagomes.com.br